O Honda HR-V de primeira geração é um daqueles carros que parecem ter sido desenhados por alguém que realmente usa um carro todos os dias, há espaço, boa ergonomia, mecânica conhecida e uma sensação geral de que quase tudo está exatamente onde deveria estar, mas basta olhar as versões com atenção para perceber que existe bem mais personalidade escondida ali do que a aparência comportada sugere.
A partir de cerca de R$ 70 mil, ele pode ser apenas um SUV confortável e sensato ou, alguns degraus acima, virar um carro surpreendentemente rápido para os padrões da categoria, e essa diferença muda completamente a experiência ao volante.
O EX 2016 é o HR-V para quem olha a lista de equipamentos e pensa que talvez não precise de muito mais, porque por cerca de R$ 70.900 ele já traz câmera de ré, ar-condicionado digital, controle de cruzeiro, rodas de 17 polegadas, controles de estabilidade e tração e o excelente Auto Hold, recurso que parece irrelevante até o primeiro congestionamento longo.
O motor 1.8 flex de até 140 cv trabalha com um câmbio CVT que prefere suavidade a drama, leva o SUV de 0 a 100 km/h em 10,6 segundos e combina bem com os 437 litros de porta-malas e o Magic Seat, então o resultado é um carro que dificilmente emociona no papel, mas faz um número enorme de coisas bem feitas na vida real.
A Touring 2020 começa como qualquer outro HR-V até você apertar o acelerador, quando os 173 cv e 22,4 kgfm do motor 1.5 turbo empurram o SUV de 0 a 100 km/h em 8,2 segundos e fazem parecer um pouco absurdo que tudo isso esteja escondido em um carro com aparência tão respeitável, encontrado usado por aproximadamente R$ 93.900.
Ele ainda entrega 11,4 km/l na cidade e 12,6 km/l na estrada com gasolina, além de teto solar, bancos de couro, faróis de LED, seis airbags e sensores dianteiros e traseiros, embora o escapamento duplo tenha reduzido o porta-malas para 393 litros, uma pequena punição por transformar o pacato HR-V em algo muito mais interessante.
O EXL 2016 ocupa aquele ponto curioso em que um carro deixa de parecer apenas funcional e começa a ficar genuinamente agradável de usar, porque os cerca de R$ 79.500 trazem bancos de couro, chave presencial, partida por botão, ar digital, câmera de ré, sensores de estacionamento e seis airbags sem mexer na mecânica conhecida do 1.8.
E isso é provavelmente uma boa notícia, já que o conjunto de até 140 cv com CVT continua simples de entender e confortável de conduzir, enquanto os 437 litros de porta-malas e o Magic Seat resolvem a vida de quem leva malas, bicicleta, compras ou qualquer coisa que normalmente exige alguns minutos de negociação com o banco traseiro.