Honda Civic EXS 1.8 AT 2007 tem 140 cv, câmbio automático de 5 marchas, consumo de até 12 km/l e preço na faixa de R$ 43 mil segue na disputa com o Corolla no mercado de usados

Publicado por em Honda dia
Honda Civic EXS 1.8 AT 2007 tem 140 cv, câmbio automático de 5 marchas, consumo de até 12 km/l e preço na faixa de R$ 43 mil segue na disputa com o Corolla no mercado de usados

O Honda Civic EXS 2007 fez algo que parecia improvável: tirou o Toyota Corolla do topo, virou objeto de desejo e quase 20 anos depois ainda custa perto de R$ 44 mil, mas hoje o maior risco não está no preço e sim no histórico escondido sob a lataria.

Em 2007 o Brasil crescia, Rihanna tocava no rádio e o Civic parecia ter vindo de 2015

Em 2007, o Brasil vivia crédito em alta, mercado automotivo aquecido e sedans médios em forte disputa, cenário perfeito para o New Civic desafiar o Corolla.
Em 2007, o Brasil vivia crédito em alta, mercado automotivo aquecido e sedans médios em forte disputa, cenário perfeito para o New Civic desafiar o Corolla.

O Civic de 8ª geração caiu num Brasil em que “Umbrella”, de Rihanna, tocava sem descanso, NX Zero dominava parte das rádios, “Paraíso Tropical” era assunto de televisão e “Tropa de Elite” virava fenômeno, o PIB brasileiro avançava 6,1%, o crédito crescia, a gasolina custava em média pouco mais de R$ 2,50 por litro e muita gente estava entrando pela primeira vez no mundo dos carros médios, por isso havia espaço para algo menos sisudo que o Corolla e menos tradicional que o Vectra.

O consumidor também começava a querer mais do que um sedan confortável com porta-malas e ar-condicionado, queria um carro que dissesse alguma coisa sobre ele, e foi exatamente aí que o Civic acertou porque não parecia um eletrodoméstico de quatro rodas, parecia uma escolha pessoal, quase um pequeno manifesto contra aquele desenho quadrado e comportado que dominava boa parte do segmento.

O plano era simples: tirar o Corolla do trono

Em 2007, Civic e Corolla brigavam pela liderança entre os sedans zero km; hoje, quase 20 anos depois, a disputa continua viva no mercado de usados.
Em 2007, Civic e Corolla brigavam pela liderança entre os sedans zero km; hoje, quase 20 anos depois, a disputa continua viva no mercado de usados.

O Corolla era o adversário que todos respeitavam e ninguém conseguia ignorar, confortável, confiável e já consolidado entre famílias e executivos, enquanto o Civic chegou com uma proposta quase oposta, mais baixo, com suspensão firme, posição de dirigir envolvente, bancos de couro no EXS, trocas no volante e um interior que fazia o Toyota parecer muito mais velho do que realmente era.

A estratégia funcionou de maneira quase brutal porque em 2007 o Civic chegou a 47.435 unidades e tomou a liderança dos sedans médios, deixando o Corolla para trás e mostrando que havia um público enorme disposto a trocar discrição por desenho, sensação ao volante e um pouco de ousadia, algo raro num segmento que normalmente premiava justamente o contrário.

O motor de 140 cv não impressiona hoje, mas ainda conversa bem com o carro

O 1.8 aspirado R18A1 entrega 140 cv e 17,7 kgfm, números que parecem modestos diante dos motores turbo atuais, mas o segredo está na maneira como o conjunto trabalha porque o Civic pesa 1.260 kg, responde de forma progressiva e gosta de giro, então ele não dá aquela patada de torque logo ao sair do semáforo, mas ganha fôlego quando o motorista insiste no acelerador, especialmente em estrada e ultrapassagens.

Os 12 segundos no 0 a 100 km/h deixam claro que ninguém deveria comprar esse carro imaginando ter encontrado um esportivo escondido sob quatro portas, só que a estabilidade, a posição baixa e a direção hidráulica fazem o Civic parecer mais rápido do que o cronômetro sugere, e isso sempre foi parte de seu encanto.

O câmbio automático de cinco marchas combina mais com fluidez do que com pressa

A direção hidráulica, a tração dianteira e o automático de 5 marchas deixam a condução leve, previsível e confortável no uso diário.
A direção hidráulica, a tração dianteira e o automático de 5 marchas deixam a condução leve, previsível e confortável no uso diário.

A transmissão automática usa conversor de torque e cinco marchas, algo simples quando comparado a câmbios modernos de oito, nove ou dez relações, mas justamente por isso ela entrega um funcionamento previsível, sem ficar procurando marcha o tempo inteiro, e no EXS ainda existe a possibilidade de trocar pelo volante, recurso que em 2007 era divertido, sofisticado e um excelente assunto para mostrar aos amigos no primeiro fim de semana com o carro.

Na cidade ele desliza com facilidade, em estrada mantém o motor numa faixa confortável e a direção hidráulica transmite mais peso e textura ao motorista do que sistemas elétricos modernos, enquanto a suspensão independente nas quatro rodas segura bem a carroceria, embora o acerto firme cobre seu preço em asfalto ruim e deixe claro que o Civic nunca teve o objetivo de flutuar sobre buracos como um Corolla.

Ele bebe mais do que um sedan moderno, mas ainda não transforma cada ida ao posto em tragédia

O consumo fica em 8,5 km/l na cidade e 12 km/l na estrada, com tanque de 50 litros e autonomia de aproximadamente 425 km no uso urbano e 600 km em rodovia, então ele consegue atravessar uma boa viagem sem paradas constantes, mas quem enfrenta congestionamento todo dia vai sentir a diferença em relação a modelos menores, híbridos ou motores turbo atuais de baixa cilindrada.

Não é um carro econômico no sentido contemporâneo da palavra, mas também não pertence àquela escola de sedans antigos que pareciam considerar a gasolina um recurso infinito, e para quem roda mais em estrada o conjunto ainda entrega uma relação bastante razoável entre desempenho, conforto e consumo.

O interior ainda é metade da experiência

O câmbio automático de 5 marchas prioriza suavidade, enquanto a direção hidráulica e a suspensão independente deixam o carro firme e bastante comunicativo ao volante.
O câmbio automático de 5 marchas prioriza suavidade, enquanto a direção hidráulica e a suspensão independente deixam o carro firme e bastante comunicativo ao volante.
Por dentro, leva cinco pessoas, oferece bancos de couro, ar automático, piloto automático e bom espaço para pernas, mas o porta-malas tem apenas 340 litros disponíveis.
Por dentro, leva cinco pessoas, oferece bancos de couro, ar automático, piloto automático e bom espaço para pernas, mas o porta-malas tem apenas 340 litros disponíveis.

Entrar num Civic dessa geração continua sendo mais interessante do que entrar em muito carro mais novo, porque o banco fica baixo, o para-brisa é grande, o painel envolve o motorista e o velocímetro digital fica no alto do campo de visão, criando uma sensação de cabine que ainda hoje parece especial, mesmo com rádio e CD player lembrando rapidamente que estamos falando de um carro lançado antes de Spotify e Android Auto dominarem o mundo.

Cinco pessoas cabem, mas o banco traseiro funciona melhor com dois adultos em viagens longas, o entre-eixos de 2,70 metros oferece bom espaço para pernas e a versão EXS soma bancos de couro, ar-condicionado automático, piloto automático, volante multifuncional e ajustes suficientes para encontrar uma boa posição ao dirigir, enquanto o porta-malas de 340 litros é o ponto que mais denuncia uma escolha de projeto porque nunca foi grande para um sedan médio familiar.

O problema é que o tempo começa a falar mais alto que o logotipo

Entre os pontos de atenção estão coxins do motor, buchas, bieletas, suspensão traseira e possíveis vazamentos na direção hidráulica em carros mais rodados e malcuidados.
Entre os pontos de atenção estão coxins do motor, buchas, bieletas, suspensão traseira e possíveis vazamentos na direção hidráulica em carros mais rodados e malcuidados.

Um Civic bem cuidado ainda passa a impressão de carro sólido, mas os anos revelaram alguns pontos conhecidos e o mais famoso está nos coxins do motor, especialmente o hidráulico, porque quando ele cansa a vibração invade volante, painel e cabine, principalmente com o carro parado em D, algo que muita gente aceita como normal por causa da idade quando na verdade é um pedido bastante claro de manutenção.

A suspensão também merece atenção porque buchas, bieletas, amortecedores e componentes traseiros podem produzir batidas secas, folgas e desgaste irregular dos pneus, e existe até boletim técnico da Honda nos Estados Unidos sobre desgaste prematuro ou desigual dos pneus traseiros nos Civic 2006 e 2007, o que não transforma automaticamente o problema num recall brasileiro, mas é razão suficiente para olhar a parte interna dos pneus com mais cuidado do que o vendedor gostaria.

Direção hidráulica, válvulas e câmbio contam a história do dono anterior

A direção hidráulica pode apresentar vazamentos e ruídos com o envelhecimento de mangueiras, conexões e bomba, enquanto o motor usa tuchos mecânicos e pode exigir regulagem das válvulas para manter marcha lenta, funcionamento e consumo em ordem, então aquele exemplar que vibra, bate, chia e ainda vem acompanhado da frase “é assim mesmo” merece mais desconfiança do que entusiasmo.

O câmbio automático de cinco marchas não carrega fama de grande desastre quando recebe manutenção correta, mas quase vinte anos são tempo suficiente para muitos donos ignorarem fluido, vazamentos e sinais de desgaste, por isso trancos, demora para engatar D ou R, patinação e mudanças bruscas devem ser tratados como aviso sério porque uma transmissão ruim consegue evaporar rapidamente a vantagem de ter comprado um Civic barato.

Há também o recall que não pode ser esquecido

Diversos Honda dessa época foram atingidos pelas campanhas relacionadas aos airbags Takata e a consulta deve ser feita pelo chassi ou pela placa, algo simples e gratuito, mas que ainda é ignorado por muita gente que prefere discutir roda, multimídia e película antes de verificar se existe um dispositivo de segurança pendente de substituição.

Manter não é absurdo, mas também não é preço de popular

Peças de desgaste são fáceis de encontrar, oficinas independentes conhecem bem o modelo e há bastante oferta paralela no mercado, porém componentes genuínos e alguns serviços específicos podem pesar no orçamento, e o verdadeiro perigo não está numa revisão comum, mas naquele carro comprado de alguém que passou anos adiando coxim, suspensão, fluido de câmbio, vazamentos e pneus até decidir vender tudo junto para o próximo dono.

As revisões até 60 mil km somavam R$ 4.642 dentro da referência original e hoje o custo de propriedade depende muito mais da condição do exemplar do que da tabela de manutenção, porque dois Civic visualmente parecidos podem ter histórias completamente diferentes por baixo da lataria.

Quase vinte anos depois, ele ainda custa praticamente o mesmo que o Corolla

Na Fipe de agosto de 2026, o Civic EXS 1.8 AT 2007 fica em R$ 43.778; vale pelo conjunto e pela história, desde que conservação pese mais que aparência na compra.
Na Fipe de agosto de 2026, o Civic EXS 1.8 AT 2007 fica em R$ 43.778; vale pelo conjunto e pela história, desde que conservação pese mais que aparência na compra.

Na referência de agosto de 2026, o Civic EXS 1.8 automático 2007 aparece em torno de R$ 43,8 mil, valor praticamente colado ao Corolla SE-G 1.8 automático do mesmo ano, enquanto versões equivalentes do Vectra costumam ficar abaixo, e isso diz muito sobre como Honda e Toyota preservaram reputação e procura mesmo depois de tantas gerações, facelifts e lançamentos zero km terem passado pelas concessionárias.

O curioso é que a rivalidade de 2007 sobrevive até hoje no mercado de usados, porque quem procura um Civic EXS quase sempre acaba olhando também para um Corolla SE-G ou XEi da mesma época, e a velha divisão continua praticamente intacta, o Toyota seduz quem quer maciez e discrição, o Honda chama quem prefere direção mais envolvente e desenho com personalidade.

Vale a pena comprar um Honda Civic EXS 2007?

Vale se a ideia for ter um sedan antigo com caráter, boa estrada, posição de dirigir interessante e um conjunto que ainda consegue transformar um trajeto comum em algo minimamente prazeroso, mas não vale comprar só porque existe um H cromado no volante, porque idade pesa mais do que reputação e um exemplar negligenciado pode custar muito mais do que a diferença entre ele e um carro mais simples.

O Civic EXS 2007 envelheceu melhor do que muita gente imaginava e continua desejável justamente porque teve coragem de ser diferente quando quase todo sedan médio queria apenas parecer sério, mas a melhor compra hoje não é o mais bonito no anúncio, é o que não vibra parado, não bate suspensão, não vaza fluido, troca marchas sem hesitar e consegue provar que foi cuidado por alguém que entendia que manutenção não é detalhe, é a diferença entre nostalgia e arrependimento.

Honda Civic e Toyota Corolla ainda travam uma das disputas mais fortes do mercado de usados

O Civic 2007 envelheceu de um jeito que provavelmente incomoda o Corolla da mesma época, porque enquanto o Toyota seguia a receita muito sensata de conforto, discrição e confiabilidade, o Honda resolveu aparecer com carroceria baixa, para-brisa inclinado, painel em dois níveis e uma posição de dirigir que fazia um sedan familiar parecer um pouco mais interessante do que precisava ser.

O motor 1.8 flex, com câmbio manual ou automático, não transformava o Civic em esportivo e nem precisava disso, porque o mérito estava no equilíbrio, na direção agradável, na suspensão bem acertada e naquela sensação de que o carro tinha sido pensado também para quem estava segurando o volante, enquanto o Corolla continuava sendo a escolha mais racional para quem queria apenas entrar, ligar e seguir viagem.

Quase 20 anos depois, a disputa continua curiosamente parecida, o Corolla ainda carrega a fama de robusto e previsível, enquanto o Civic costuma seduzir mais pelo desenho e pela forma como anda, mas em ambos os casos a idade exige manutenção bem feita, porque nenhum japonês é imortal e um Civic maltratado continua sendo apenas um carro velho com um H na grade.

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Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.