Volkswagen Amarok Extreme V6 2018 tem 225 cv, câmbio automático de 8 marchas, consumo de até 8,4 km/l e valor em cerca de R$ 136 mil, mas bomba de alta pressão do diesel pode virar dor de cabeça
A primeira acelerada explica por que a Amarok Extreme V6 2018 envelheceu tão bem, porque aquele V6 de 225 cv empurra uma picape enorme com uma facilidade quase indecente, o câmbio passa as marchas sem chamar atenção e, por alguns segundos, você esquece que há mais de duas toneladas, mas existe um ponto capaz de mudar completamente a compra: a bomba de alta pressão do diesel pode contaminar o sistema de injeção com limalha e transformar um usado atraente em um reparo de dezenas de milhares de reais.

O mais curioso é que a Amarok não tenta esconder o que é, ela continua larga, pesada e absolutamente pouco prática para uma vaga apertada, mas tem aquele tipo de força que transforma uma ultrapassagem em algo banal e uma subida carregada em mero detalhe, até que entra em cena o risco de uma unidade malcuidada, com histórico ruim de diesel, filtro negligenciado, DPF cansado ou manutenção feita na economia errada.
2018 tinha Copa, sertanejo, diesel nas manchetes e SUVs tomando as ruas
A Volkswagen Amarok Extreme 3.0 V6 2018 aparece num Brasil em que Jorge & Mateus, Zé Neto & Cristiano, Anitta e Marília Mendonça estão por toda parte, Drake domina o streaming mundial, “O Outro Lado do Paraíso” e “Segundo Sol” ainda seguram milhões diante da televisão e o celular já tomou conta da música, das mensagens, das fotos e de boa parte da vida cotidiana, enquanto nas ruas o consumidor começa a olhar para hatches e sedans como quem olha para uma televisão de tubo: ainda funcionam, claro, mas todo mundo quer algo maior e mais alto.
A economia brasileira cresce 1,1% em 2018, ainda tentando recuperar o fôlego depois da recessão, os SUVs avançam com força e o diesel vira assunto nacional durante a greve dos caminhoneiros, portanto não havia momento mais apropriado para uma picape que queria ser três coisas ao mesmo tempo: ferramenta de trabalho, carro de viagem e símbolo de status, um arranjo que parece absurdo até você perceber que o mercado inteiro caminhava exatamente nessa direção.
A Amarok V6 queria resolver um problema que não cabia na caçamba

Hilux, S10 e Ranger já tinham entendido que muita gente comprava picape sem jamais colocar um saco de cimento na caçamba, então a Volkswagen resolveu procurar outro caminho e enfiou um 3.0 V6 turbodiesel de 225 cv onde quase todos os rivais ainda confiavam em motores de quatro ou cinco cilindros, depois vestiu a Extreme com rodas de 20 polegadas e acabamento mais chamativo, como se dissesse que trabalhar é importante, mas chegar ao restaurante numa caminhonete que anda como carro rápido também tem seu valor.
O V6 muda completamente a sensação ao volante

Os 56,1 kgfm aparecem já a 1.500 rpm e isso significa que não existe drama para tirar os 2.185 kg da inércia, basta encostar no acelerador e a Amarok sai com aquela força grossa de motor grande, sem gritaria e sem precisar buscar rotação lá em cima, enquanto os 225 cv levam a picape de 0 a 100 km/h em 8 segundos e até 190 km/h, números que parecem ainda mais estranhos quando lembramos que estamos falando de algo com mais de cinco metros de comprimento e aptidão para carregar mais de uma tonelada.
O automático ZF de oito marchas é um dos grandes acertos porque trabalha quase sempre no fundo da cena, a tração integral permanente dá tranquilidade quando o piso piora e a traseira com feixe de molas lembra que luxo nenhum aboliu a física, portanto vazia ela pula mais do que um SUV bem acertado, enquanto carregada assenta no chão e parece finalmente entender por que nasceu.
Ela viaja longe, mas o posto faz parte da rotina

Com 8 km/l na cidade e 8,4 km/l na estrada, a V6 nunca pretendeu ser amiga de quem faz planilha para economizar combustível, embora o tanque de 80 litros permita cerca de 640 km no uso urbano e 672 km em rodovia, autonomia suficiente para longas viagens sem ansiedade, desde que o dono aceite a verdade mais simples sobre um V6 diesel grande e pesado: força custa combustível.
A caçamba explica por que ela ainda trabalha de verdade

A cabine leva cinco pessoas, oferece ar de duas zonas, bancos dianteiros elétricos, câmera, sensores de estacionamento, GPS e Bluetooth, mas o que separa a Amarok de um SUV grandalhão continua atrás dos bancos, porque a caçamba de 1.280 litros, a carga útil de 1.105 kg e a capacidade de rebocar 2.710 kg com freio mostram que ela ainda sabe trabalhar, embora os 5.254 mm de comprimento e o giro de 12,9 metros façam qualquer estacionamento apertado parecer um teste de habilidade.
O maior medo está escondido no sistema de combustível
A bomba de alta pressão é o ponto que merece mais respeito numa Amarok usada porque existem registros de desgaste capaz de gerar limalha e espalhar partículas pelo sistema de injeção, atingindo componentes caros como os bicos, e esse é justamente o tipo de defeito que não chega tocando sirene, pois muitas vezes começa com funcionamento irregular, perda de força ou dificuldade de partida e termina com uma desmontagem que ninguém queria pagar.
Também aparecem relatos envolvendo saturação do DPF, falhas de EGR, sensores de ABS, perda de líquido de arrefecimento, vazamentos de óleo, trepidações, direção hidráulica e problemas elétricos, mas nem tudo deve ser colocado no mesmo saco, porque há diferença entre ocorrência documentada e defeito crônico, já o recall do chicote dos bancos dianteiros é um caso objetivo e precisa ser conferido pelo chassi antes da compra.
A manutenção barata não faz parte do pacote
As revisões até 60.000 km somam R$ 19.743, o seguro fica em torno de R$ 6.500 e o IPVA em R$ 5.532 na referência considerada, números coerentes com uma picape que usa V6 diesel, injeção direta, câmbio automático e tração integral, portanto aquela Amarok muito barata, remapeada, sem histórico e com filtro trocado “quando dava” pode ser exatamente o tipo de negócio que parece genial no anúncio e péssimo depois da primeira visita à oficina.
Por cerca de R$ 136 mil, ela entra numa briga interessante
A Tabela Fipe de agosto de 2026 coloca a Amarok Extreme V6 2018 em R$ 136.400, praticamente colada na Ford Ranger Limited 3.2 2018 de R$ 138.541, abaixo da Chevrolet S10 High Country 2.8 2018 de R$ 151.329 e bem distante dos R$ 184.000 da Toyota Hilux SRX 2.8 2018, então a Volkswagen parece uma pechincha em desempenho e equipamento, desde que o comprador entenda que o dinheiro economizado na compra não deve ser todo gasto em rodas, pneus ou acessórios antes de uma boa inspeção.
Por dentro, a Amarok V6 troca a rusticidade por conforto
A cabine leva cinco pessoas e entrega uma posição de dirigir alta, bancos dianteiros com ajustes elétricos, ar-condicionado de duas zonas e bom espaço para cabeça, enquanto o banco traseiro acomoda três adultos, embora o passageiro central fique mais limitado em viagens longas.



A tecnologia também ajuda no uso diário, com câmera traseira, sensores dianteiros e traseiros, GPS, Bluetooth, espelhamento de celular, volante multifuncional e computador de bordo, formando um conjunto que ainda parece completo mesmo anos depois.
A Amarok Extreme V6 2018 ainda vale a pena?
Vale para quem quer uma picape rápida, forte, boa de estrada e capaz de carregar peso sem perder a compostura, mas não é compra para quem busca mecânica simples ou pretende escolher pela quilometragem mais baixa do anúncio, porque numa Amarok V6 2018 o verdadeiro luxo não é couro, roda de 20 polegadas ou 225 cv, é encontrar uma unidade com sistema diesel saudável, manutenção comprovada e nenhuma história cara escondida debaixo do capô.
Com informações de Reclameaqui, QuatroRodas, Uol e Autoo.
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