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5 carros em despedida no Brasil que ainda têm muito a oferecer no mercado de usados

Comprar um carro que vai sair de linha em 2026 pode render bons descontos, mas a indústria prefere vender novidades enquanto modelos perfeitamente capazes são mandados para a aposentadoria antes da hora.

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5 carros em despedida no Brasil que ainda têm muito a oferecer no mercado de usados

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Comprar um carro prestes a sair de linha pode ser um negócio absolutamente fantástico, porque poucas coisas são tão satisfatórias quanto conseguir um bom desconto enquanto a indústria tenta convencer você de que um automóvel perfeitamente funcional se transformou, de repente, em uma peça de museu, apesar de continuar ligando, andando e fazendo exatamente aquilo para o qual foi construído.

O mais absurdo é que esses carros ainda levam famílias à praia, carregam ferramentas e enfrentam estradas que fariam um SUV de luxo pedir socorro, mas alguém numa sala de reuniões decidiu que precisamos de mais telas, motores menores e nomes que parecem senhas de Wi-Fi, então veículos perfeitamente capazes recebem uma sentença de morte comercial, justamente quando podem começar a ficar mais baratos.

Volkswagen Saveiro

A Volkswagen Saveiro passou mais de quatro décadas fazendo algo que muitas picapes modernas parecem ter esquecido, carregar coisas sem exigir uma vaga de estacionamento do tamanho de uma pequena garagem, e talvez seja justamente por isso que ainda faz sentido para tanta gente, pois quem precisa levar ferramentas, mercadorias ou equipamentos não está necessariamente interessado em uma enorme central multimídia, mas em uma caçamba que esteja disponível na segunda-feira de manhã, embora nem mesmo essa fidelidade ao trabalho pareça suficiente para garantir sua sobrevivência.

A Volkswagen prepara uma nova picape pelo projeto Udara, com produção prevista em São José dos Pinhais, no Paraná, dentro de um investimento de R$ 3 bilhões, e a sucessora deverá ter aproximadamente 4,75 metros de comprimento e 2,80 metros de entre-eixos, oferecendo versões de trabalho e lazer para disputar compradores com Fiat Strada, Chevrolet Montana e versões de entrada da Toro, enquanto o início da fabricação era esperado para o último trimestre de 2026 e a chegada às lojas poderia acontecer entre o fim do ano e o começo de 2027, deixando a veterana Saveiro diante de uma despedida que tem algo de injusto para quem nunca precisou de uma picape maior, com o preço da atual geração não informado no material disponível.

Hyundai HB20S

Há uma honestidade quase comovente em um sedan compacto, porque ele não tenta convencer ninguém de que foi construído para atravessar desertos ou escalar montanhas, apenas oferece um porta-malas separado, espaço para a família e uma carroceria que faz sentido para quem gosta de viajar com as malas longe dos passageiros, mas o Hyundai HB20S parece ter cometido o pecado de continuar sendo um sedan justamente quando as fabricantes descobriram que o público brasileiro anda apaixonado por SUVs.

A Hyundai prepara uma nova geração do HB20 e um utilitário esportivo de entrada para sua fábrica de Piracicaba, em São Paulo, com a expectativa de que o novo SUV assuma o espaço comercial do HB20S sem oferecer uma substituição direta de carroceria, trazendo aproximadamente 4,20 metros de comprimento, 2,60 metros de entre-eixos, motor 1.0 turbo flex de até 120 cv e transmissão automática de seis marchas, com preços projetados entre R$ 120 mil e R$ 150 mil para o futuro utilitário, não para o sedan atual, cujo valor não foi informado, e lançamento esperado para o segundo semestre de 2026, uma troca que poderá agradar quem deseja dirigir mais alto, mas certamente não entrega a mesma resposta para quem simplesmente queria comprar outro HB20S.

Suzuki Jimny Sierra

O Suzuki Jimny Sierra parece um automóvel que recebeu um memorando sobre a evolução dos SUVs e resolveu ignorá-lo, porque continua pequeno, quadrado e absolutamente convencido de que um veículo com tração nas quatro rodas deveria conseguir sair do asfalto sem transformar a viagem em uma experiência angustiante, uma personalidade que explica parte de seu encanto e também torna sua situação brasileira particularmente triste, já que o problema não está na falta de disposição para enfrentar uma estrada ruim, mas nas regras que determinam o que pode sair pelo escapamento.

As importações foram interrompidas no fim de 2024 por causa das exigências do Proconve L8, e um lote estimado entre mil e 1.500 unidades abasteceu as concessionárias durante 2025, permitindo que o pequeno 4×4 continuasse disponível com preços anunciados entre R$ 155.990 na versão 4You manual e R$ 216.990 na 4Expedition automática, sempre com motor 1.5 a gasolina de 108 cv e 14,1 kgfm, associado a câmbio manual de cinco marchas ou automático de quatro, enquanto a Suzuki preparava a chegada do Vitara elétrico e o futuro do Jimny dependia de uma atualização mecânica capaz de atender à legislação brasileira, uma situação curiosa para um carro construído para superar obstáculos e que pode acabar impedido de continuar por algo que não se resolve engatando a reduzida.

Renault Oroch

A Renault Oroch nunca precisou fingir que era uma caminhonete americana em miniatura, pois encontrou seu lugar oferecendo uma caçamba, quatro portas e dimensões suficientemente civilizadas para enfrentar o trânsito sem obrigar o motorista a planejar cada manobra, uma receita especialmente atraente para quem trabalha durante a semana e precisa levar a família no fim de semana, embora a chegada de uma picape mais moderna dentro da própria Renault coloque essa simplicidade diante de um adversário difícil de combater.

Depois da retirada da versão Outsider com motor 1.3 turbo, a Oroch permaneceu com o 1.6 aspirado de 120 cv e 16,2 kgfm, enquanto a futura picape conhecida pelo projeto Niagara era preparada com motor 1.3 turbo flex de 163 cv e 27,5 kgfm, câmbio automatizado de dupla embreagem e configurações 4×2 e 4×4, incluindo versões de trabalho que poderão disputar exatamente os mesmos compradores da veterana, cujo preço não foi informado no conteúdo disponível, deixando para a fabricante uma escolha delicada entre manter dois produtos próximos ou encerrar a trajetória de um carro que continua fazendo sentido justamente por não tentar ser mais complicado do que precisa.

Nissan Kicks Play

O Nissan Kicks Play oferece uma oportunidade que costuma aparecer quando um fabricante apresenta um carro novo e precisa encontrar compradores para o antigo, pois aquilo que ontem era um SUV perfeitamente adequado para a família passa a receber descontos simplesmente porque existe um sucessor mais recente do outro lado da concessionária, e a Nissan chegou a anunciar abatimentos de até R$ 10 mil nas versões Sense e Advance Plus, uma circunstância que pode tornar a despedida mais agradável para quem se interessa menos pela novidade e mais pelo dinheiro que permanece na conta bancária.

A chegada do Nissan Kait determinou o encerramento gradual da trajetória do Kicks Play, com os dois modelos compartilhando plataforma, mecânica e diversos componentes, enquanto o veterano manteve o motor 1.6 flex de quatro cilindros, 113 cv e 15,5 kgfm, associado ao câmbio automático CVT que simula sete marchas e já adaptado às exigências do Proconve L8, permanecendo nas concessionárias enquanto houvesse estoque, embora os preços nominais não tenham sido informados e os descontos anunciados no começo do ano não possam ser considerados permanentes, o que deixa uma ironia bastante automotiva nessa despedida, porque o Kicks Play não precisa deixar de ser um bom carro para sair de linha, basta que a Nissan tenha um carro novo para vender em seu lugar.

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