Comprar um Honda ZR-V usado por R$ 148.890 significa levar para casa um SUV médio com motor 2.0 de 161 cv, oito airbags, pacote ADAS e base compartilhada com o Civic pagando R$ 66.210 a menos que os R$ 215.100 cobrados por um zero km, é uma diferença grande o bastante para transformar um carro antes distante em uma compra possível, embora seja justamente essa queda de preço que acenda o primeiro alerta.
O ZR-V chegou ao Brasil no fim de 2023 apenas na versão Touring e isso simplifica bastante a busca no mercado de usados, porque não existe uma floresta de versões para comparar, por esse valor o comprador encontra um carro de 4,57 metros de comprimento, 1,84 m de largura e 2,65 m entre os eixos, dimensões próximas às de Jeep Compass, Toyota Corolla Cross e Volkswagen Taos.
Por dentro, o espaço para passageiros é um dos motivos para olhar com carinho para esse Honda, quatro adultos conseguem viajar sem aquela sensação de aperto típica dos SUVs compactos, mas o porta-malas de 389 litros é menor que o dos principais rivais e pode cobrar seu preço quando a família resolve levar malas grandes para a estrada.
Debaixo do capô está o 2.0 aspirado de quatro cilindros com 161 cv e 19,1 kgfm, com corrente de comando, 16 válvulas e injeção indireta, conjunto ligado à família mecânica do Civic e ao câmbio CVT que simula sete marchas, uma receita menos complexa que muitos motores turbo com injeção direta usados hoje.
O lado menos emocionante aparece quando se pisa mais fundo, com 1.446 kg o ZR-V precisa de 12 segundos para chegar aos 100 km/h e alcança 195 km/h, não é um carro lento para a rotina, mas quem sair de um SUV turbo perceberá que a resposta é mais calma e que o motor precisa subir de giro nas ultrapassagens.
O Inmetro registra 10,2 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada, números razoáveis para um SUV desse porte, porém existe uma diferença importante para boa parte dos concorrentes, o ZR-V aceita apenas gasolina e não permite ao proprietário recorrer ao etanol quando ele estiver mais barato.
É na estrada que o ZR-V mostra por que sua origem interessa ao comprador, a suspensão McPherson na dianteira e multilink na traseira, a direção elétrica e os freios a disco nas quatro rodas deixam o carro firme e previsível, com comportamento mais próximo de um automóvel de passeio do que daquele balanço excessivo que ainda aparece em alguns SUVs altos.
A versão Touring traz oito airbags, controles de estabilidade e tração, ar-condicionado digital de duas zonas, teto solar, bancos de couro, banco do motorista elétrico, carregador por indução, sensor de chuva, faróis de LED e freio de estacionamento eletrônico, um pacote que evita aquela sensação de comprar um seminovo caro e descobrir depois que faltam equipamentos básicos.
Também fazem parte do conjunto a frenagem automática de emergência, controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa e câmera para o ponto cego direito, embora existam economias difíceis de explicar em um carro dessa categoria, como a ausência de função de um toque nos vidros traseiros e de iluminação no porta-luvas.
Como acontece com qualquer usado nessa faixa de preço, a compra começa pelo histórico do carro e não pelo brilho da pintura, é importante conferir revisões, eventuais reparos de colisão, desgaste irregular dos pneus, funcionamento do CVT, suspensão, freios, eletrônica e todos os sistemas de assistência, porque qualquer reparo em um SUV médio equipado pode transformar rapidamente uma diferença de preço atraente em despesa inesperada.
A Tabela Fipe coloca o ZR-V Touring 2024 em R$ 153.276 e o 2025 em R$ 157.209, portanto uma unidade anunciada por R$ 148.890 está abaixo dessas referências, só que o comprador também precisa aceitar que o mesmo carro zero km custa R$ 215.100 e que essa diferença de R$ 66.210 nasceu de uma desvalorização forte, talvez o melhor motivo para comprar usado e, ao mesmo tempo, o detalhe que mais merece atenção antes de assinar o documento.