O BYD Seal 2024 chegou ao Brasil por R$ 296.800 com números capazes de fazer muito esportivo parecer preguiçoso, mas dois anos depois há exemplares anunciados entre R$ 175 mil e R$ 185 mil, enquanto a Tabela Fipe de julho de 2026 aponta R$ 205.580, uma queda considerável para um carro que continua exatamente tão rápido quanto era quando saiu da concessionária.
É uma situação curiosa porque nada desapareceu debaixo do capô, até porque não há propriamente um motor ali esperando uma troca de óleo, o Seal continua com dois motores elétricos, tração integral, 530 cv e 60,2 kgfm, suficientes para levá-lo de 0 a 100 km/h em 3,8 segundos, portanto o primeiro proprietário perdeu muito mais dinheiro do que potência.
Tomando o preço de lançamento como referência, a Fipe representa perda superior a 30%, mas um exemplar anunciado por R$ 175 mil já está cerca de 41% abaixo dos R$ 296.800 cobrados quando o modelo chegou ao país, diferença próxima de R$ 120 mil que ajuda a explicar por que o Seal começou a chamar atenção também entre compradores de usados. Em anúncios da Webmotors e OLX, é possível notar a desvalorização.
A bateria tem 82,5 kWh e autonomia oficial de até 372 km, o que funciona bem para deslocamentos urbanos e permite viajar, desde que o motorista aceite uma pequena mudança de hábito, pois parar para recarregar um elétrico exige mais planejamento do que simplesmente encontrar o próximo posto e abastecer em cinco minutos.
O sedan da BYD não é pequeno, são 4,80 metros de comprimento, 1,87 metro de largura e 2,92 metros entre os eixos, dimensões que ajudam no espaço interno, mas aparecem rapidamente quando chega a hora de entrar naquela vaga de garagem projetada numa época em que um carro médio brasileiro tinha praticamente o tamanho de um hatch atual.
Dentro, há central multimídia giratória de 15,6 polegadas, painel digital de 10,2 polegadas, teto panorâmico, bancos com ajustes elétricos, dois carregadores de celular por indução e sistema Dynaudio com 12 alto-falantes, portanto a queda de preço não removeu os equipamentos que ajudavam a justificar o posicionamento do carro quando novo.
Os oito airbags, controles de estabilidade e tração, câmera de 360 graus, frenagem automática de emergência, piloto automático adaptativo, assistente de faixa e monitoramento de tráfego cruzado continuam presentes, assim como as rodas de 19 polegadas, detalhe particularmente importante quando chegar a hora de comprar pneus.
A bateria e o sistema elétrico contam com garantia de até oito anos conforme as condições previstas pela fabricante para o veículo, algo relevante num usado elétrico porque uma bateria de alta tensão não pertence à mesma categoria financeira de uma bateria de 12 volts comprada na loja da esquina.
As revisões ocorrem a cada 20 mil km e um elétrico elimina itens tradicionais como óleo do motor, velas e correias, mas isso não transforma um sedan grande de 530 cv em automóvel barato de manter, seguro, pneus, suspensão, peças de acabamento e componentes eletrônicos continuam existindo e podem lembrar rapidamente ao proprietário que o carro custava quase R$ 300 mil quando novo.
A parte mais interessante dessa história está justamente aí, o BYD Seal que hoje aparece perto de R$ 180 mil continua capaz de acelerar a 100 km/h em 3,8 segundos, levar quatro adultos com conforto e rodar até 372 km pela medição oficial, mas quem comprou cedo descobriu que um automóvel pode perder aproximadamente R$ 120 mil sem percorrer um único quilômetro mais devagar.
“O carro não ficou pior, só descobrimos quanto custa ser o primeiro a comprar, porque o BYD Seal continua rápido, confortável e tecnologicamente interessante, mas a desvalorização mostra que entrar cedo em um elétrico caro pode custar dezenas de milhares de reais.” – Opinião de Alan Corrêa, jornalista automotivo