Fiat Marea Turbo foi o carro nacional que colocou 182 cv nas ruas do Brasil e chegou a 219 km/h

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Fiat Marea Turbo foi o carro nacional que colocou 182 cv nas ruas do Brasil e chegou a 219 km/h

No fim dos anos 1990, quando motores turbo ainda estavam longe de ser comuns nas ruas brasileiras, a Fiat decidiu levar adiante uma receita que já havia funcionado com o Tempra e criou um carro familiar com desempenho suficiente para encarar esportivos importados, nascia assim o Marea Turbo, um modelo discreto por fora, confortável para viajar e capaz de entregar números que nenhum outro automóvel produzido no Brasil alcançava naquele momento.

O Fiat Marea Turbo chegou em 1999 com uma proposta quase improvável: ser confortável para a família e, ao mesmo tempo, o carro nacional mais rápido de sua época.
O Fiat Marea Turbo chegou em 1999 com uma proposta quase improvável: ser confortável para a família e, ao mesmo tempo, o carro nacional mais rápido de sua época.

Lançado em 1999 e oferecido tanto na carroceria sedan quanto na Weekend, o Marea Turbo usava um motor 2.0 de cinco cilindros em linha, 20 válvulas e turbocompressor Garrett T28, conjunto que trabalhava de maneira relativamente tranquila em baixas rotações, mas mudava de comportamento quando a turbina começava a encher e entregava sua força com mais intensidade a partir das 3.000 rpm.

O motor produzia 182 cv a 6.000 rpm e 27 kgfm de torque a 2.750 rpm, números elevados para um carro brasileiro daquela época, enquanto recursos como intercooler, radiador de óleo, pistões e bielas específicos, coletor de admissão próprio e válvulas de escape refrigeradas a sódio mostravam que não se tratava apenas de instalar uma turbina sobre um motor convencional.

Em baixa rotação ele podia rodar sem drama, mas a turbina começava a aparecer por volta de 2.000 rpm e entregava sua força com mais vontade depois das 3.000 rpm.
Em baixa rotação ele podia rodar sem drama, mas a turbina começava a aparecer por volta de 2.000 rpm e entregava sua força com mais vontade depois das 3.000 rpm.

Em teste realizado pela QuatroRodas em março de 2000, o Marea Turbo acelerou de 0 a 100 km/h em 8,12 segundos e atingiu 219 km/h, desempenho que naquele período o colocava no topo entre os carros nacionais e fazia do Fiat um rival direto de modelos como Volkswagen Golf GTI e Audi A3 Turbo.

No teste de março de 2000, o Marea Turbo fez 0 a 100 km/h em 8,12 segundos e chegou a 219 km/h, desempenho que nenhum outro nacional superava em linha reta naquele período.
No teste de março de 2000, o Marea Turbo fez 0 a 100 km/h em 8,12 segundos e chegou a 219 km/h, desempenho que nenhum outro nacional superava em linha reta naquele período.

Toda essa força chegava às rodas dianteiras por meio de um câmbio manual de cinco marchas e sem a ajuda de controles eletrônicos de tração ou estabilidade, por isso explorar o limite do carro exigia mais atenção do motorista, especialmente porque os 182 cv precisavam ser administrados apenas com a aderência dos pneus e com o acerto mecânico da suspensão.

A Fiat endureceu molas e amortecedores e também reforçou o sistema de freios, com discos nas quatro rodas e ABS, numa tentativa de manter o comportamento compatível com o desempenho, enquanto os pneus 195/60 R15 tinham especificação para velocidades elevadas e ajudavam a preservar a aparência relativamente discreta da versão.

Essa discrição fazia parte do charme do Marea Turbo, pois quem olhava rapidamente podia confundi-lo com versões mais comuns, já que as principais diferenças externas estavam na grade, nos logotipos, nas entradas de ar do capô e nas rodas específicas, uma aparência quase comportada para um carro capaz de passar dos 200 km/h.

O potencial do cinco cilindros também ajudou a transformar o Marea em presença constante nas oficinas de preparação, porque o projeto original utilizado no Fiat Coupé europeu chegava a 220 cv, enquanto a configuração brasileira foi ajustada para 182 cv justamente para manter o conjunto compatível com a proposta de um carro familiar.

Com isso, muitos exemplares acabaram modificados ao longo dos anos, recebendo alterações de pressão de turbo, alimentação e gerenciamento eletrônico, situação que hoje torna mais difícil encontrar unidades preservadas exatamente como saíram de fábrica.

Apesar da fama associada ao desempenho, o Marea Turbo também mantinha características de um carro pensado para uso cotidiano, com quatro portas, porta-malas de 430 litros, tanque de 63 litros e espaço suficiente para cumprir viagens longas sem abandonar a proposta de conforto que existia nas demais versões da linha.

Debaixo do capô havia um 2.0 de cinco cilindros, 20 válvulas e turbina Garrett T28, com 182 cv a 6.000 rpm e 27 kgfm de torque a 2.750 rpm, números fortes para a época.
Debaixo do capô havia um 2.0 de cinco cilindros, 20 válvulas e turbina Garrett T28, com 182 cv a 6.000 rpm e 27 kgfm de torque a 2.750 rpm, números fortes para a época.

O motor de cinco cilindros ainda entregava uma característica que números de ficha técnica não explicam completamente, o ronco particular do conjunto acompanhado pelo assobio da turbina criava uma personalidade mecânica incomum entre os carros nacionais e ajudou a construir a relação emocional que muitos proprietários mantêm com o modelo até hoje.

A produção, porém, nunca foi grande e somente 2.690 unidades foram comercializadas, sendo 1.643 sedans e 1.047 unidades da Marea Weekend até janeiro de 2007, quantidade pequena diante da importância que o modelo ganhou posteriormente entre entusiastas de carros turbo.

A dura realidade do Marea Turbo: o motor 5 cilindros de 182 cv era uma obra de arte, e o carro tinha desempenho de sobra. O problema veio depois: manutenção negligenciada, donos irresponsáveis e mecânicos despreparados ajudaram a transformar um dos Fiat mais impressionantes já vendidos no Brasil em um símbolo de má fama. – Opinião de Alan Corrêa, jornalista automotivo

O Marea Turbo terminou sua trajetória sem um sucessor direto dentro da própria Fiat, encerrando uma fase em que a marca colocou nas ruas brasileiras um carro de aparência familiar, motor de cinco cilindros, câmbio manual e desempenho suficiente para deixar para trás grande parte dos automóveis vendidos no país naquele período.

Porque o Marea tem má fama?

A má fama do Fiat Marea cresceu porque muitos carros começaram a apresentar problemas graves no motor depois de alguns anos, principalmente quando as trocas de óleo eram feitas fora do prazo ou com lubrificante inadequado, e o intervalo de até 20.000 km previsto inicialmente para a troca de óleo também acabou entrando nessa história porque favorecia a formação de borra em condições de uso desfavoráveis.

Com o tempo, motores quebrados, contas altas de oficina e carros que passaram de um dono para outro sem manutenção cuidadosa ajudaram a transformar o Marea em motivo de piada, mas isso não significa que todo Marea fosse ruim, porque oficinas especializadas apontam que o carro exige manutenção preventiva feita corretamente e sofre bastante quando essa rotina é ignorada.

Qual era o problema do Fiat Marea?

O principal cuidado estava no motor, especialmente nas versões de cinco cilindros, porque lubrificação e manutenção precisavam estar em ordem para evitar desgaste e problemas mais caros, então um Marea que passasse muito tempo com óleo inadequado ou manutenção atrasada podia chegar à oficina já com ruídos, perda de potência e falhas relacionadas à pressão de óleo.

Também havia outro problema para quem comprava um carro já bastante usado: nem sempre era fácil descobrir como os donos anteriores haviam cuidado dele, então uma unidade bonita por fora podia esconder anos de manutenção malfeita, situação que ajudou a espalhar a ideia de que qualquer Marea seria problemático quando boa parte da discussão estava ligada ao histórico de conservação de cada carro.

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Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.