A Fiat Strada Working 1.4 Cabine Dupla 2015 construiu fama de resistente, mas não escapa de limitações claras quando analisada com olhar crítico e padrão atual. O primeiro ponto é a segurança. A presença de airbags frontais e freios ABS atende ao mínimo legal, porém a ausência de controle de estabilidade, tração e assistentes eletrônicos coloca o modelo em desvantagem frente a carros mais novos. Não há resultado específico de Latin NCAP para essa geração, e a avaliação fraca das Strada mais recentes acende um alerta sobre o nível de proteção estrutural da linha antiga.
No conforto, o isolamento acústico é limitado. Em estrada, o ruído de rodagem e do motor invade a cabine, especialmente em pisos mais ásperos. A suspensão, feita para aguentar carga, transmite irregularidades quando a caçamba está vazia, deixando o rodar seco em ruas esburacadas. Para quem vem de um hatch ou sedã, a sensação é de menor refinamento.
O acabamento interno é outro ponto sensível. Predominam plásticos rígidos, com montagem honesta, mas sem preocupação estética. Com o tempo, surgem rangidos no painel e nas portas, principalmente em carros que rodaram muito em vias ruins. Bancos de espuma simples também perdem apoio com quilometragem elevada.
Em termos mecânicos, a robustez do motor Fire 1.4 não elimina o desgaste típico de veículos de trabalho. Embreagem cansada, trancos no engate, ruídos de suspensão e folgas em buchas aparecem com frequência em unidades que carregaram peso acima do ideal. No Reclame Aqui, há registros pontuais de problemas de câmbio e atendimento, além de queixas relacionadas a recall de airbag Takata, que exige verificação obrigatória por chassi.
A tecnologia embarcada também pesa negativamente na comparação com modelos atuais. Não há multimídia moderna, Android Auto, Apple CarPlay, câmera de ré ou sensores em muitas unidades. Para quem depende de conectividade no dia a dia, isso exige investimento em acessórios paralelos.
Por fim, a proposta utilitária cobra seu preço no comportamento dinâmico. Retomadas são lentas com carga, ultrapassagens exigem planejamento e o conjunto não tolera condução apressada. A Strada 2015 resolve, mas não perdoa abuso, nem oferece margem de segurança eletrônica para erros.
Em resumo, os pontos negativos se concentram em três frentes: pacote de segurança antigo, conforto e tecnologia limitados e desgaste elevado em carros de histórico pesado. Nada disso anula suas virtudes, mas define com clareza que se trata de uma picape funcional, não moderna, e que exige compra criteriosa para não transformar robustez em custo inesperado.