Poucos carros usados conseguem transformar fama de confiabilidade em preço alto como o Honda Fit, e essa é justamente a armadilha, porque o modelo continua extremamente útil, espaçoso e competente, mas já não é automaticamente um bom negócio só por carregar o nome Honda.
Ainda vale a pena quando está bem conservado e custa o que realmente entrega, com versões mais antigas perto dos R$ 30 mil, cabine versátil, bom aproveitamento interno e mecânica conhecida pela durabilidade, mas geração, câmbio e equipamentos pesam bastante na escolha e podem mudar completamente a relação entre preço e benefício.
Hoje o Fit Twist faz mais sentido para quem quer um usado diferente sem entrar em uma mecânica exótica, porque por cerca de R$ 52.990 ele entrega o conhecido 1.5 flex de 116 cv com etanol e 115 cv com gasolina, 14,8 kgfm de torque e câmbio automático de cinco marchas, além de um visual que ainda chama mais atenção que o restante da linha com rack de teto, molduras nos para-lamas, para-choques próprios e rodas exclusivas, embora continue sendo exatamente o mesmo carro urbano e baixo que sempre foi por baixo dessa fantasia aventureira.
No uso diário ele é muito mais sensato do que a aparência sugere, com airbags frontais, freios ABS, ar-condicionado, direção elétrica, sensores de estacionamento, volante multifuncional, faróis de neblina, computador de bordo e som integrado, enquanto os 8,3 km/l na cidade e 9,5 km/l na estrada com etanol sobem para 12,3 km/l e 13,3 km/l com gasolina, e o 0 a 100 km/h na casa dos 12 segundos deixa claro que ninguém está comprando um Twist para correr, mas sim porque deseja um Fit que não pareça ter saído diretamente de uma reunião de condomínio.
Um LXL de 2007 ou 2008 por cerca de R$ 30.900 não parece barato quando se lembra da idade, até abrir as portas e perceber que aqueles 3,83 metros de comprimento escondem 2,45 m de entre-eixos, porta-malas de 380 litros, assoalho plano e o Magic Seat, uma combinação que ainda hoje permite levar malas, compras, bicicletas e objetos altos com uma facilidade que muito hatch moderno simplesmente não oferece.
O motor 1.4 flex entrega 80 cv com gasolina ou 83 cv com etanol e sempre 12,8 kgfm, podendo vir com manual de cinco marchas ou CVT, e os mais de 13 segundos necessários para chegar aos 100 km/h explicam perfeitamente o temperamento do carro, que prefere resolver a vida do proprietário a impressioná-lo, enquanto médias superiores a 12 km/l com gasolina entre cidade e estrada, direção elétrica, ar-condicionado, vidros elétricos nas quatro portas, travas, retrovisores elétricos, volante regulável, rodas de liga leve, som integrado e duplo airbag fazem um exemplar realmente conservado parecer muito menos antigo do que a certidão de nascimento sugere.
O EXL usado é para quem quer a lógica de um Fit sem aceitar a austeridade de um carro puramente funcional, e por valores a partir de aproximadamente R$ 63.900 ele oferece uma cabine mais agradável de conviver todos os dias, com bancos de couro, ar-condicionado digital automático, central multimídia, câmera de ré, volante multifuncional, controle de cruzeiro, sensores traseiros e rodas de liga leve, mantendo o motor 1.5 flex da terceira geração como base mecânica.
Só não dá para comprar um EXL olhando apenas para a inscrição na tampa traseira, porque entre 2015 e 2021 o conteúdo muda bastante e algumas unidades trazem airbags frontais, laterais e de cortina, controles de estabilidade e tração, chave presencial e partida por botão, enquanto outras têm pacote mais simples, e essa diferença importa num usado que já custa dinheiro de carros bem mais novos, embora poucos rivais consigam juntar o mesmo espaço, facilidade de condução e nível de equipamento sem crescer demais por fora.
Na casa dos R$ 39.900, o Fit LX de 2009 a 2012 talvez seja o ponto em que preço e utilidade começam a conversar de maneira mais civilizada, porque são 3,90 metros de comprimento, 2,50 m de entre-eixos e 384 litros no porta-malas, medidas que continuam funcionando muito bem para uma família pequena sem obrigar ninguém a estacionar um SUV enorme toda vez que precisa comprar pão.
O 1.4 flex de 101 cv com etanol e 100 cv com gasolina entrega 13 kgfm e pode trabalhar com manual de cinco marchas ou automático convencional também de cinco, levando cerca de 13 segundos no 0 a 100 km/h, mas a recompensa aparece no posto com 8,3 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada usando etanol ou 12,2 km/l e 13,6 km/l com gasolina, enquanto direção elétrica, ar-condicionado, vidros e travas elétricos, computador de bordo, Magic Seat, ajuste de altura para o banco do motorista, som integrado e duplo airbag compõem um carro que continua sendo simples sem parecer pobre.
Pagar perto de R$ 59.900 por um DX 2015 parece muito até colocar o carro na rua e entender por que a terceira geração continua valorizada, pois são 3,99 metros de comprimento, 2,53 m de entre-eixos, porta-malas de 363 litros e um motor 1.5 flex de até 116 cv e 15,3 kgfm que pode vir com manual de cinco marchas ou CVT, sendo que o automático chegou aos 100 km/h em 10,9 segundos na pista da Autoesporte, desempenho já bastante distante da paciência exigida pelos Fit mais antigos.
O interessante é que mesmo sendo a versão de entrada ele não se comporta como um carro pelado, trazendo airbags frontais, ABS, direção elétrica, ar-condicionado, vidros elétricos dianteiros, travas, computador de bordo e Magic Seat, enquanto o CVT consegue 8,3 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada com etanol ou 12,3 km/l e 14,1 km/l com gasolina, e é justamente essa combinação de desempenho suficiente, baixo consumo e cabine esperta que mantém o DX caro no mercado, mesmo quando a plaquinha da versão deixa claro que ele está longe de ser o Fit mais equipado.