Acompanhei de perto a virada que começou em Brasília e chegou rápido às ruas. Desde 2026, carros com 20 anos ou mais deixaram de pagar IPVA em todo o país após mudança na Constituição Federal. A regra é nacional, automática e já mudou o comportamento de quem compra e vende carro usado antigo.
A emenda constitucional foi promulgada em dezembro de 2025 e eliminou de vez o cenário confuso em que cada estado adotava um corte diferente. A partir do IPVA 2026, qualquer veículo terrestre que complete 20 anos de fabricação simplesmente sai da base de cobrança do imposto, independentemente do estado de registro.
“As pessoas passaram a olhar com mais atenção para carros com 20 anos porque o IPVA saiu da conta em 2026, o que pesa no bolso e muda a decisão de compra, mas é preciso dizer com clareza que a vantagem fiscal não elimina consumo alto, desgaste mecânico, seguro caro ou inexistente e manutenção frequente, ou seja, faz sentido para quem aceita as limitações e compra com a cabeça fria, não para quem acha que imposto zero transforma carro antigo em negócio sem risco.”
Até pouco tempo atrás, eu precisava explicar ao leitor que Minas Gerais tinha uma regra, São Paulo outra, o Rio outra ainda. Isso acabou. Hoje, a isenção é (quase) igual no Brasil inteiro.
O corte é claro e já está valendo, como confirmou a Agenciabrasil. Carros que completaram 20 anos de fabricação ficaram isentos a partir do IPVA 2026. Na prática, o último boleto foi o de 2025. A partir daí, o imposto simplesmente não é mais lançado.
Eu vi o movimento acontecer quase em tempo real. Tirar o IPVA da conta muda o custo fixo anual e isso pesa na decisão de compra. Modelos que estavam esquecidos voltaram a ser pesquisados porque, no papel, ficaram mais baratos de manter. Menos imposto gera mais demanda, e o estoque desses carros não cresce na mesma velocidade.
A principal vantagem é objetiva: IPVA zero. Em carros populares antigos, isso representa um alívio real no orçamento. Outro ponto é a mecânica conhecida. Muitos desses modelos têm projetos simples, ampla oferta de peças e mão de obra barata, algo que ainda conta muito fora dos grandes centros.
Aqui entra o alerta que sempre faço ao leitor. IPVA zero não elimina custos. Seguro costuma ser mais difícil ou mais caro. O consumo é maior que o de carros atuais. Desgaste de suspensão, arrefecimento, parte elétrica e acabamento é esperado. Quem compra um carro com mais de 20 anos precisa entrar sabendo que a economia de um lado pode virar gasto do outro.
No fim das contas, a regra redesenhou o piso do mercado de usados antigos no Brasil inteiro. A demanda aumentou, os preços pararam de cair e, em alguns casos, começaram a subir. Como jornalista e como motorista, minha leitura é direta: a isenção ampliou as opções, mas não aboliu a necessidade de fazer conta completa antes de fechar negócio.