O Land Rover Discovery Sport virou, no mercado de usados, um atalho direto para quem quer sete lugares e prestígio pagando preço de SUV compacto, com unidades partindo de cerca de R$ 90 mil nas tabelas de referência no fim de 2025.
“O Discovery Sport agrada pelo conforto, sete lugares e sensação de carro premium por preço acessível no usado, mas exige cautela. Os principais problemas aparecem no diesel, com DPF entupido, diluição de óleo e desgaste de corrente nos motores Ingenium, além de falhas elétricas pontuais. Em contrapartida, anda macio, isola bem ruídos e encara a rotina familiar com facilidade. Na compra, vale checar histórico completo de revisões, barulhos a frio, funcionamento do câmbio, eletrônica embarcada e sinais de manutenção negligenciada, porque reparos não são baratos.”
Lançado no Brasil em 2014, o Discovery Sport nasceu com uma missão clara, substituir o Freelander 2 e ser a porta de entrada da Land Rover. Funcionou. Em pouco tempo, virou o importado mais vendido do país, chegando perto de 400 unidades mensais, muito por oferecer algo raro na época, a configuração 5+2 em um SUV de porte médio, com 4,59 m de comprimento, viável graças à suspensão traseira multilink que roubava pouco espaço do assoalho.
Na prática, ele entrega exatamente o que promete ao olhar para a carroceria. A terceira fileira existe e resolve a vida em trajetos curtos com crianças ou adultos sem muita cerimônia, enquanto a segunda fileira acomoda a família com conforto e boa posição de dirigir. É um carro fácil de encaixar na rotina urbana, entra em vaga de prédio sem drama e mantém aquele ar de produto acima da média, algo que pesa muito para quem compra com emoção e status no pacote.
O comportamento dinâmico sempre foi um dos trunfos. Mesmo alto e pesado, o Discovery Sport surpreende pelo equilíbrio entre conforto e controle, com direção rápida, bom isolamento acústico e rodar macio em pisos ruins, mérito de um acerto que lembra mais um hatch grande do que um SUV tradicional. Não é esportivo, mas passa confiança e cansa pouco em viagens longas.
Debaixo do capô, a história varia conforme o ano. As primeiras versões a gasolina traziam o 2.0 turbo de 240 cv e 34,7 kgfm, sempre acompanhado do câmbio automático ZF de 9 marchas e do sistema Terrain Response, que ajusta a tração conforme o terreno. A partir do fim de 2015, o diesel ganhou protagonismo com o 2.2 de 190 cv e 43 kgfm, e depois com o Ingenium 2.0, que manteve o torque alto e trouxe nacionalização em 2016.
Com a linha 2018, os motores Ingenium passaram a dominar a gama, inclusive nas versões a gasolina. Em 2019, o 2.0 flex manteve os 240 cv, mas passou a entregar torque máximo mais cedo, melhorando a resposta no trânsito. Já o modelo 2020 marcou a reestilização e a chegada da plataforma PTA, com melhorias em tecnologia e refinamento.
O pacote de equipamentos ajuda a explicar o apelo. Desde a versão SE, há sete airbags, ar-condicionado bizona, controles eletrônicos de estabilidade e tração, assistente de frenagem de emergência e multimídia. A HSE acrescenta teto solar, faróis de LED, rodas maiores e mais conforto a bordo. No topo, a HSE Luxury entrega bancos elétricos com memória, climatização, sistema de som Meridian e acabamento que flerta com o universo Range Rover.
Mas o encanto tem custo, e ele aparece depois da compra. Manutenção é o ponto mais sensível. Peças não são baratas, a mão de obra precisa ser especializada e histórico de revisões faz toda a diferença. Casos de problemas em turbocompressor, DPF nas versões diesel, corrente de comando nos Ingenium e sensibilidade da injeção direta ao uso de etanol exigem atenção redobrada. Preço muito abaixo da média costuma esconder descuido.
Ainda assim, quando bem escolhido, o Discovery Sport entrega uma combinação rara no mercado de usados, como revelou a QuatroRodas, espaço para a família, conforto no dia a dia e a sensação clara de estar em um carro de categoria superior. É o tipo de SUV que não faz sentido para quem quer gastar pouco depois da compra, mas faz muito para quem aceita pagar pela experiência.