Mesmo com 12 anos de uso, Honda Civic LXR 2.0 2014 mantém 155 cv, porta-malas de 449 litros e valor superior ao Jetta Comfortline e Cruze LT da mesma época

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Mesmo com 12 anos de uso, Honda Civic LXR 2.0 2014 mantém 155 cv, porta-malas de 449 litros e valor superior ao Jetta Comfortline e Cruze LT da mesma época

O Honda Civic LXR 2.0 2014 pertence àquele grupo inconveniente de carros que deveriam estar claramente ultrapassados depois de 12 anos, mas continuam aparecendo nas ruas com pintura decente, ar-condicionado funcionando e proprietários absolutamente convencidos de que fizeram a escolha mais racional da humanidade.

O Civic LXR 2.0 2014 envelheceu sem virar caricatura, porque ainda passa a sensação de carro bem resolvido, com cabine baixa, comandos simples e jeito de sedan feito para estrada.
O Civic LXR 2.0 2014 envelheceu sem virar caricatura, porque ainda passa a sensação de carro bem resolvido, com cabine baixa, comandos simples e jeito de sedan feito para estrada.

Isso não significa que todo Civic antigo seja indestrutível, porque nenhum automóvel passa uma década enfrentando buracos brasileiros, combustível de procedência variável, oficinas criativas e donos econômicos demais sem adquirir cicatrizes, mas significa que existe aqui uma base mecânica suficientemente boa para tornar a idade menos assustadora do que normalmente seria.

2014 tinha sertanejo no rádio, novela na televisão e gente descobrindo que o smartphone podia arruinar uma conversa

Honda Civic LXR 2.0 FlexOne automático 2014 aparece em um Brasil no qual Luan Santana, Marcos & Belutti, Thiaguinho e Sorriso Maroto estavam por toda parte, “Império” dominava o horário nobre, Pharrell Williams fazia o planeta inteiro ouvir “Happy” e Taylor Swift abandonava definitivamente qualquer preocupação em permanecer apenas no country, enquanto redes sociais e smartphones começavam a transformar restaurantes em lugares onde quatro pessoas podiam sentar juntas e nenhuma delas precisava necessariamente conversar.

A economia era menos alegre, o PIB brasileiro cresceu apenas 0,5% em 2014, a indústria automobilística recuou 19,6% e os licenciamentos caíram 7,8%, portanto comprar um sedan médio já começava a exigir alguma justificativa doméstica mais elaborada, especialmente quando Toyota Corolla, Chevrolet Cruze e Volkswagen Jetta também disputavam a garagem da família.

A Honda resolveu colocar um motor maior e, surpreendentemente, isso funcionou

A nona geração do Civic já estava estabelecida quando a Honda colocou o 2.0 nas versões LXR e EXR, trocando a sensação de esforço ocasional do antigo 1.8 por um conjunto de 155 cv no etanol e 150 cv na gasolina, além de adotar o sistema FlexOne sem tanquinho de partida a frio, o que parece um detalhe insignificante até você lembrar daquela pequena garrafa de gasolina envelhecida escondida no cofre do motor de tantos carros flex daquela época.

Ele não é rápido, apenas se recusa a ser lento

O motor R20Z1 trabalha com um câmbio automático de cinco marchas e conversor de torque, tecnologia que hoje parece quase arqueológica diante de transmissões com oito, nove ou dez relações, mas que combina muito bem com a proposta do carro porque as trocas são previsíveis, o conjunto responde sem drama no trânsito e os 155 cv conseguem levar os 1.294 kg aos 100 km/h em 10,9 segundos sem transformar cada ultrapassagem em uma negociação diplomática.

O motor 2.0 de 155 cv não entrega brutalidade, mas responde com naturalidade, faz de 0 a 100 km/h em 10,9 s e sustenta ultrapassagens sem transformar cada manobra em drama.
O motor 2.0 de 155 cv não entrega brutalidade, mas responde com naturalidade, faz de 0 a 100 km/h em 10,9 s e sustenta ultrapassagens sem transformar cada manobra em drama.

Na estrada começa a fazer sentido pagar mais por um Civic velho

A suspensão independente nas quatro rodas ajuda o carro a manter compostura onde alguns sedans começam a flutuar ou quicar, a direção elétrica é leve sem parecer completamente desligada das rodas e os quatro freios a disco dão confiança suficiente para uma viagem longa, embora pneus 205/55 R16 e carroceria relativamente baixa deixem bastante claro que lombadas gigantes, valetas e estradas de terra destruídas pertencem ao território de veículos mais altos.

Com gasolina, o Civic faz 9,2 km/l na cidade e 12,8 km/l na estrada, enquanto a autonomia rodoviária pode chegar a 730 km com o tanque de 57 litros em viagens longas.
Com gasolina, o Civic faz 9,2 km/l na cidade e 12,8 km/l na estrada, enquanto a autonomia rodoviária pode chegar a 730 km com o tanque de 57 litros em viagens longas.

Por dentro existe espaço suficiente e quase nenhuma tentativa de impressionar alguém

São 4,52 metros de comprimento, 2,66 metros entre os eixos e 449 litros de porta-malas, o que significa espaço confortável para quatro adultos e bagagem de viagem sem obrigar ninguém a escolher entre levar uma mala ou manter um parente no banco traseiro, enquanto bancos de couro, ar-condicionado automático, câmera de ré, piloto automático, Bluetooth, volante multifuncional e paddle shifts entregam exatamente aquilo que um sedan médio precisava oferecer em 2014.

O câmbio automático de cinco marchas parece antigo perto dos atuais, mas combina com o carro, troca sem sustos e ajuda a manter aquela condução tranquila típica dos bons sedans.
O câmbio automático de cinco marchas parece antigo perto dos atuais, mas combina com o carro, troca sem sustos e ajuda a manter aquela condução tranquila típica dos bons sedans.

O consumo lembra que 155 cv precisam ser alimentados

Com gasolina ele registra referências de 9,2 km/l na cidade e 12,8 km/l na estrada, enquanto com etanol são 6,5 km/l e 9,4 km/l, portanto ninguém confundirá o Civic com um pequeno híbrido japonês particularmente obcecado por economia, mas o tanque de 57 litros permite autonomia rodoviária teórica de até 730 km com gasolina e torna o conjunto bastante aceitável para um sedan 2.0 automático de sua geração.

A parte perigosa começa quando alguém diz que Honda não quebra

Honda quebra, Toyota quebra, Mercedes quebra e provavelmente até uma torradeira japonesa acabará quebrando se você passar 12 anos ignorando manutenção, portanto no Civic usado é importante procurar ruídos de suspensão, folgas, vibrações, amortecedores cansados, buchas ressecadas, coxins deteriorados e qualquer comportamento estranho da direção, não porque exista uma epidemia mecânica escondida no modelo, mas porque borracha, metal e óleo continuam sujeitos às desagradáveis leis da física.

O recall é uma verificação obrigatória, não uma curiosidade histórica

Algumas unidades dessa geração estiveram envolvidas nas campanhas relacionadas aos airbags Takata, portanto consultar o chassi antes da compra é muito mais importante do que discutir se o banco de couro ainda está bonito, porque recall pendente envolve segurança e a regularização pode ser conferida diretamente pelos canais oficiais.

O câmbio de cinco marchas talvez seja justamente aquilo que você queira

Não existe CVT, dupla embreagem, nove marchas ou qualquer outra solução capaz de gerar uma discussão de 40 minutos em um fórum de proprietários, existe apenas um automático convencional com conversor de torque que oficinas conhecem bem, enquanto o motor utiliza corrente no comando e possui ampla oferta de componentes de manutenção, embora uma unidade negligenciada continue perfeitamente capaz de consumir uma quantidade impressionante de dinheiro.

O problema é que todo mundo percebeu que esses carros costumam durar

Em agosto de 2026 o Honda Civic LXR 2.0 automático 2014 aparece na Tabela Fipe por cerca de R$ 71,3 mil, acima de referências do Volkswagen Jetta Comfortline 2.0 Tiptronic 2014 e do Chevrolet Cruze LT 1.8 automático 2014, portanto a reputação de robustez deixou de ser apenas uma qualidade e passou a fazer parte do preço de entrada.

A nostalgia não paga oficina, por isso ruídos de suspensão, buchas cansadas, coxins e qualquer tranco no câmbio precisam ser investigados antes de fechar negócio.
A nostalgia não paga oficina, por isso ruídos de suspensão, buchas cansadas, coxins e qualquer tranco no câmbio precisam ser investigados antes de fechar negócio.

Então ainda vale comprar um Civic LXR 2014?

Vale quando o exemplar tem histórico verificável, manutenção coerente, câmbio saudável, suspensão em ordem e sinais claros de que os proprietários anteriores entendiam que óleo novo custa menos que um motor novo, porque nesse cenário o Civic continua sendo um sedan confortável, previsível e agradável de usar, mas pagar caro apenas porque há um H cromado na grade seria exatamente o tipo de decisão irracional que este carro, curiosamente, sempre tentou evitar.

Ficha técnica resumida do Honda Civic LXR 2.0 2014

  • Motor: 2.0 flex aspirado
  • Potência: 155 cv (A) e 150 cv (G)
  • Torque: 19,5 kgfm (A) e 19,3 kgfm (G)
  • Câmbio: automático de 5 marchas
  • Tração: dianteira
  • 0 a 100 km/h: 10,9 segundos
  • Velocidade máxima: 190 km/h
  • Consumo urbano: 6,5 km/l (A) e 9,2 km/l (G)
  • Consumo rodoviário: 9,4 km/l (A) e 12,8 km/l (G)
  • Autonomia rodoviária: 536 km (A) e 730 km (G)
  • Porta-malas: 449 litros
  • Tanque: 57 litros
  • Comprimento: 4.525 mm
  • Entre-eixos: 2.668 mm
  • Peso: 1.294 kg
  • Pneus: 205/55 R16
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Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.