Comprar uma Mitsubishi L200 Triton HPE 3.2 Turbo AT 2013 hoje pode parecer uma boa ideia para quem quer uma picape forte, alta e preparada para pegar estrada ruim, mas será que uma caminhonete com mais de dez anos ainda consegue trabalhar sem virar cliente frequente da oficina?

Consegue, desde que tenha sido bem cuidada, porque o motor 4M41 é conhecido por aguentar bastante uso, enquanto os maiores riscos aparecem em carros que passaram anos com manutenção atrasada, diesel ruim, alterações no motor ou uso pesado sem os cuidados necessários.
Em 2013, Anitta tocava no rádio e as picapes começavam a mudar de vida
A Mitsubishi L200 Triton 2013 apareceu em uma época em que “Show das Poderosas”, de Anitta, estava por toda parte, Bruno Mars e Daft Punk faziam sucesso no mundo e “Amor à Vida” era uma das novelas mais comentadas no Brasil, enquanto celulares inteligentes começavam a tomar conta da rotina e as picapes deixavam de ser vistas apenas como carros de fazenda.
O Brasil ainda vendia milhões de carros por ano e o diesel custava pouco mais de R$ 2 por litro em média, por isso uma picape grande que pudesse trabalhar durante a semana e viajar com a família no fim de semana tinha espaço no mercado, ainda mais para quem precisava carregar peso, enfrentar lama e percorrer longas distâncias.
Ela foi feita para quem precisa de carro e ferramenta ao mesmo tempo
A L200 Triton HPE não nasceu para ser apenas bonita na garagem, ela foi pensada para quem carrega ferramentas, sacos, caixas, equipamentos, reboques ou simplesmente precisa chegar onde um carro comum começa a sofrer, mas sem abrir mão de itens como bancos de couro, ar-condicionado automático, piloto automático, GPS, Bluetooth, volante multifuncional e chave presencial.
Na época, ela brigava com Toyota Hilux, Chevrolet S10 e Ford Ranger, todas tentando conquistar o mesmo comprador que queria força para trabalhar, conforto para viajar e uma picape capaz de enfrentar uma estrada de terra sem pedir licença.
O motor 3.2 não corre como esportivo, mas empurra peso sem reclamar

O motor 4M41 tem 3.200 cm³, quatro cilindros, turbo e 170 cv, mas o número mais importante aparece no torque de 35 kgfm a 2.000 rpm, que é a força usada para sair com carga, subir uma ladeira ou atravessar um trecho ruim sem precisar espremer o acelerador.
O câmbio automático tem apenas quatro marchas e mostra a idade do projeto, principalmente perto das picapes mais novas, enquanto os 1.945 kg fazem o 0 a 100 km/h levar 13,2 segundos, mas essa nunca foi a missão principal da Triton, que trabalha melhor carregada, em velocidade constante e longe de ruas apertadas.
Ela bebe diesel, mas consegue viajar muito antes de procurar um posto

O consumo é de 10,6 km/l na cidade e 15,2 km/l na estrada, com tanque de 75 litros, o que permite uma autonomia teórica de 795 km no uso urbano e até 1.140 km na rodovia, números muito bons para uma picape desse tamanho e peso quando está em boas condições.
Na vida real, carga, pneus, trânsito, estrada de terra, manutenção e jeito de dirigir mudam bastante esse resultado, mas a grande vantagem continua sendo poder rodar longas distâncias sem parar toda hora para abastecer.
Na caçamba cabe trabalho de verdade

A Triton mede 5,11 metros de comprimento e tem 3 metros entre os eixos, por isso ocupa bastante espaço na garagem e exige atenção em estacionamento apertado, mas essa carroceria grande também entrega uma caçamba de 788 litros e capacidade de carga de 1.005 kg.
Dentro da cabine cabem cinco pessoas, embora dois adultos viagem melhor no banco traseiro do que três, enquanto a posição alta ajuda na visão da estrada e os 220 mm de altura livre do solo dão tranquilidade para enfrentar buracos, valetas, terra e caminhos onde um carro baixo começaria a raspar.
O problema mais sério começa no tanque de combustível
Existem casos documentados dessa geração em que o revestimento interno do tanque se soltou e contaminou o diesel, levando sujeira para o filtro e podendo causar perda de força, falhas e problemas no sistema de alimentação, mas isso não quer dizer que toda L200 Triton 2013 tenha esse defeito.
Antes da compra, o ideal é olhar o estado do filtro de combustível, perguntar se o tanque já foi reparado ou trocado e desconfiar de carros que apagam, perdem potência em subida ou apresentam falhas quando o motorista exige mais do motor.
Fumaça demais e motor mexido são sinais para abrir o olho
O 4M41 costuma durar bastante quando recebe óleo correto, filtros em dia e diesel de boa qualidade, mas algumas Triton foram remapeadas ou receberam módulos para aumentar potência e torque, algo que pode deixar o motor mais forte e ao mesmo tempo aumentar o desgaste quando a preparação é malfeita.
Fumaça excessiva, dificuldade para pegar, marcha lenta ruim, sopro forte pelo respiro, ruído metálico e sinais de fios cortados ou módulos extras não devem ser ignorados, porque uma picape original e bem mantida vale muito mais do que outra que passou anos trabalhando acima do que a fábrica projetou.
A tração 4×4 pode sofrer se o antigo dono usou do jeito errado
A Triton foi feita para usar tração nas quatro rodas quando o piso fica ruim, mas algumas versões dessa geração não foram pensadas para rodar o tempo todo em 4×4 sobre asfalto seco, porque isso força transmissão, diferenciais e caixa de transferência.
No teste antes da compra, vale engatar todas as posições do sistema, fazer curvas, acelerar devagar e ouvir qualquer estalo, ronco ou vibração, porque consertar componentes da tração pode custar muito mais do que trocar peças comuns de suspensão.
Suspensão aguenta pancada, mas não vive para sempre
Na frente, a Triton usa suspensão independente, enquanto atrás há eixo rígido com feixe de molas, solução simples e resistente para carregar peso, mas buchas, pivôs, amortecedores, terminais e outros componentes sofrem bastante quando o carro passou anos carregado ou rodando em estrada ruim.
Batidas secas, volante puxando para um lado, pneus gastos de maneira desigual e barulho metálico ao passar por buracos mostram que há trabalho a fazer, enquanto rangidos na traseira e ruídos no banco traseiro também aparecem entre reclamações de proprietários dessa geração.
O câmbio automático é simples, mas precisa de histórico


A caixa automática de quatro marchas não aparece como um grande defeito crônico específico da versão 2013, mas uma transmissão com mais de uma década precisa ter recebido o fluido correto e não pode ser julgada apenas porque o carro anda para frente e para trás.
Trancos fortes, demora para entrar em D ou R, giro subindo sem o carro ganhar velocidade e cheiro de óleo queimado são sinais ruins, principalmente porque o reparo de um câmbio automático pode transformar uma compra aparentemente barata em uma despesa grande.
Manutenção não é de carro popular
Filtro, óleo, suspensão e freios não costumam ser difíceis de encontrar, e oficinas especializadas em diesel conhecem bem o motor 4M41, mas injetores, bomba de alta pressão, câmbio, diferenciais e peças originais podem pesar bastante no bolso quando precisam de reparo.
Esse é o tipo de carro em que economizar antes da compra costuma custar caro depois, por isso uma Triton com notas, revisões e histórico claro costuma ser escolha melhor do que uma unidade mais bonita e mais barata sem nenhuma informação sobre os últimos anos.
A L200 Triton HPE 3.2 2013 ainda vale a pena para quem realmente precisa dela
Ela continua sendo uma boa picape para quem mora ou trabalha em lugar com estrada ruim, precisa carregar peso, rebocar ou viajar bastante, porque tem motor forte, boa altura do solo, cabine equipada e mecânica feita para serviço pesado.
Para quem roda apenas na cidade, estaciona em vagas pequenas e quer manutenção barata, existem opções muito mais simples, porque a Triton recompensa quem usa aquilo que ela sabe fazer e cobra caro de quem compra apenas pelo tamanho ou pela aparência.
Ficha Técnica da Mitsubishi L200 Triton HPE 3.2 Turbo AT 2013
Informações gerais
| Ano | 2013 |
|---|---|
| Propulsão | Combustão |
| Combustível | Diesel |
| Procedência | Nacional |
| Garantia | 3 anos |
| Configuração | Picape |
| Porte | Médio |
| Lugares | 5 |
| Portas | 4 |
| Geração | 4 |
| Nota do leitor | 9,1 |
| Índice CNW | 874,77 |
| Ranking CNW | 13618 |
Motor
| Instalação | Dianteiro |
|---|---|
| Aspiração | Turbocompressor |
| Disposição | Longitudinal |
| Alimentação | Injeção direta |
| Cilindros | 4 em linha |
| Comando de válvulas | Duplo no cabeçote |
| Cilindrada unitária | 800 cm³ |
| Acionamento do comando | Corrente |
| Válvulas por cilindro | 4 |
| Diâmetro do cilindro | 98,5 mm |
| Razão de compressão | 17:1 |
| Curso do pistão | 105 mm |
| Deslocamento | 3.200 cm³ |
| Potência máxima | 170 cv a 3.500 rpm |
| Código do motor | 4M41 |
| Torque máximo | 35 kgfm a 2.000 rpm |
| Peso/potência | 11,44 kg/cv |
| Torque específico | 10,9 kgfm/litro |
| Peso/torque | 55,6 kg/kgfm |
| Potência específica | 53,1 cv/litro |
Câmbio e tração
| Tração | Integral permanente |
|---|---|
| Câmbio | Automático de 4 marchas |
| Acoplamento | Conversor de torque |
Desempenho
| Velocidade máxima | 170 km/h |
|---|---|
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 13,2 s |
Consumo
| Consumo urbano | 10,6 km/l |
|---|---|
| Consumo rodoviário | 15,2 km/l |
Autonomia
| Autonomia urbana | 795 km |
|---|---|
| Autonomia rodoviária | 1.140 km |
Dimensões e capacidades
| Comprimento | 5.115 mm |
|---|---|
| Largura | 1.800 mm |
| Distância entre-eixos | 3.000 mm |
| Altura | 1.780 mm |
| Bitola dianteira | 1.520 mm |
| Bitola traseira | 1.515 mm |
| Caçamba | 788 litros |
| Tanque de combustível | 75 litros |
| Peso | 1.945 kg |
| Carga útil | 1.005 kg |
| Reboque sem freio | 750 kg |
| Reboque com freio | 2.300 kg |
| Ângulo de entrada | 39 graus |
| Ângulo de saída | 26 graus |
| Ângulo central | 27 graus |
| Rampa máxima | 35 graus |
| Altura mínima do solo | 220 mm |
Suspensão
| Suspensão dianteira | Independente, braços sobrepostos |
|---|---|
| Elemento elástico dianteiro | Mola helicoidal |
| Suspensão traseira | Eixo rígido |
| Elemento elástico traseiro | Feixe de molas semielípticas |
Direção e freios
| Assistência da direção | Hidráulica |
|---|---|
| Diâmetro de giro | 11,8 m |
| Freios dianteiros | Discos ventilados |
| Freios traseiros | Tambor |
Rodas e pneus
| Pneus dianteiros | 265/70 R16 |
|---|---|
| Altura do flanco dianteiro | 186 mm |
| Pneus traseiros | 265/70 R16 |
| Altura do flanco traseiro | 186 mm |
| Estepe | 265/70 R16 |
Equipamentos de segurança
| Freios ABS | De série |
|---|---|
| Airbags frontais | De série |
| Faróis com refletores duplos | De série |
| Faróis de neblina | De série |
| Repetidores laterais das luzes de direção | De série |
| Travamento central das portas | De série |
| Desembaçador do vidro traseiro | De série |
| Diferencial central | De série |
| Tração integral | De série |
| Estepe | De série |
Equipamentos de conforto
| Ar-condicionado | De série |
|---|---|
| Controle automático de temperatura | De série |
| Zonas de ar-condicionado | 1 |
| Ar quente | De série |
| Direção assistida | De série |
| Banco do motorista com ajuste de altura | De série |
| Apoio de braço para o motorista | De série |
| Câmbio automático | De série |
| Ajuste do volante em altura | De série |
| Bancos revestidos em couro | De série |
| Controle automático de velocidade | De série |
| Controle elétrico dos vidros dianteiros | De série |
| Controle elétrico dos vidros traseiros | De série |
| Ajuste elétrico dos retrovisores | De série |
| Retrovisores rebatíveis eletricamente | De série |
| Rodas de liga leve | De série |
| Banco traseiro rebatível | De série |
| Luz no porta-luvas | De série |
| Luz de teto traseira | De série |
| Destravamento interno da tampa de combustível | De série |
| Chave presencial | De série |
| Alças de segurança no teto | De série |
Infotenimento
| Rádio FM | De série |
|---|---|
| CD player | De série |
| Porta USB | De série |
| Conexão Bluetooth | De série |
| Tomada de 12 volts | De série |
| Navegador GPS embarcado | De série |
| Volante multifuncional | De série |
| Conta-giros | De série |
| Termômetro do líquido de arrefecimento | De série |
| DVD player | De série |
“Deixou saudades”: o motor 4M41 da L200 Triton 3.2 é considerado o mais robusto entre as picapes médias dos últimos anos
O 3.2 turbodiesel da Mitsubishi construiu sua fama longe dos anúncios e perto do trabalho pesado, acumulando centenas de milhares de quilômetros nas mãos de quem fazia a manutenção correta e criando aquela rara impressão de que o motor parecia envelhecer mais devagar que o restante da picape.
A corrente de distribuição ajudava nessa reputação, assim como o torque forte em baixa rotação, que fazia a L200 sair carregada, subir com menos esforço e avançar por estradas ruins sem precisar viver no limite do conta-giros, uma combinação simples e muito adequada para quem comprava uma picape para realmente usar.
Mas essa resistência nunca significou licença para abandonar a manutenção, porque diesel ruim, arrefecimento negligenciado e admissão suja cobram a conta cedo ou tarde, e justamente por isso os exemplares bem cuidados continuam tão valorizados, já que uma L200 3.2 em ordem passa a sensação de que ainda tem muita estrada pela frente.
Com informações de 4x4brasil, Vrum e QuatroRodas.


