A Nissan D21 2.7 4×4 CD 1997 pertence a uma época em que picape diesel não precisava acelerar forte, ter tela no painel ou parecer carro de luxo, precisava pegar peso, atravessar terra ruim e voltar para casa inteira.
Quase três décadas depois, ela continua chamando atenção por uma combinação difícil de encontrar nessa faixa de preço, cabine dupla, tração 4×4, 220 mm de vão livre e capacidade para levar 1.055 kg, mas comprar uma D21 hoje significa avaliar muito mais o que aconteceu com cada exemplar do que aquilo que está escrito no documento.
Nissan D21 2.7 4×4 CD 1997 chegava ao fim de uma geração produzida internacionalmente desde os anos 1980 enquanto o Brasil vivia os primeiros anos de estabilidade do Plano Real, a inflação continuava em queda, produtos importados ocupavam vitrines antes inacessíveis e o consumidor começava a comparar carros nacionais com japoneses que carregavam uma reputação de resistência mecânica.
Era o tempo de Skank, Claudinho & Buchecha e Vanessa Rangel nas rádios brasileiras, Spice Girls, Elton John e Toni Braxton nas paradas internacionais e Chiquititas tomando conta da televisão, enquanto gasolina ainda aparecia abaixo de R$ 1 por litro em registros daquele período e o diesel mantinha forte ligação com veículos de trabalho, cenário perfeito para picapes como D21, Toyota Hilux e Mitsubishi L200 disputarem compradores que queriam cabine para a família sem abandonar carga, estrada de terra e serviço pesado.
A proposta fica evidente assim que se olha para suas proporções e construção, são 4,735 metros de comprimento, entre-eixos de 2,95 metros, eixo rígido traseiro e feixes de molas, solução que sacrifica parte do conforto quando a caçamba está vazia em troca da resistência necessária para transportar carga, enquanto a cabine dupla com cinco lugares permite que o mesmo veículo passe a semana trabalhando e viaje com a família sem obrigar o proprietário a manter dois carros.
O diesel TD27 de 2.663 cm³ usa quatro cilindros, aspiração natural e entrega 79 cv a 4.300 rpm com 17,7 kgfm a 2.200 rpm, números modestos para os padrões atuais e ainda mais sentidos pelos 1.645 kg da picape, por isso o 0 a 100 km/h demora 23 segundos e a máxima fica em 135 km/h, mas o torque aparece cedo e combina com o câmbio manual de cinco marchas para subir devagar, carregar peso e trabalhar sem exigir rotações elevadas.
Com 20,82 kg para cada cavalo, a D21 não gosta de ultrapassagens apertadas nem de motorista que queira acompanhar picapes modernas turbo diesel, carregada exige redução antecipada nas subidas e planejamento na rodovia, porém os 220 mm de altura livre, pneus 215/75 R15, suspensão dianteira independente por braços sobrepostos com barras de torção e traseira por eixo rígido mostram outra personalidade quando termina o asfalto, principalmente porque a tração integral temporária permite usar as quatro rodas quando o piso perde aderência.
A cabine dupla resolve bem a necessidade de transportar equipe ou família e as quatro portas facilitam muito o acesso quando comparadas às antigas picapes de cabine simples, mas não espere o silêncio, a maciez ou a ergonomia de uma picape atual, pois a suspensão traseira preparada para carga trabalha melhor com peso na caçamba do que completamente vazia, enquanto os 878 litros de volume e 1.055 kg de capacidade útil explicam onde estava a verdadeira prioridade do projeto.
O consumo declarado é de 7 km/l na cidade e 10 km/l na estrada, o que permite cerca de 420 km urbanos ou 600 km rodoviários com o tanque de 60 litros, resultado interessante para uma picape diesel de quase 1,7 tonelada e projeto antigo, porém essa eficiência vem junto de acelerações demoradas e de uma velocidade de cruzeiro que combina mais com viagem tranquila do que com longos trechos de rodovia feitos em ritmo elevado.
Não há base consistente para transformar todos os relatos encontrados sobre a D21 brasileira em uma lista de defeitos crônicos, mas exemplares da família D21 acumulam registros de corrosão estrutural em outros mercados, desgaste de feixes de mola, folgas de suspensão e direção e problemas relacionados à transmissão em veículos muito rodados, por isso a inspeção precisa começar pelo chassi, pontos de fixação da cabine e da caçamba, longarinas, diferenciais, cruzetas, engates do 4×4 e ruídos vindos da caixa manual, principalmente porque uma picape dessa idade pode ter passado décadas carregando peso e rodando fora do asfalto.
Também existem relatos envolvendo superaquecimento em veículos equipados com TD27, normalmente associados a radiador obstruído ou deteriorado, bomba-d’água, válvula termostática, mangueiras e funcionamento da ventoinha, o que não autoriza tratar superaquecimento como defeito inevitável do motor, mas torna obrigatória uma revisão cuidadosa do circuito de arrefecimento em uma unidade com quase 30 anos, principalmente porque rodar quente em um diesel antigo pode transformar uma manutenção preventiva relativamente simples em reparo caro.
O TD27 usa soluções antigas e compreensíveis para oficinas acostumadas com diesel mecânico, sem a complexidade de injeção eletrônica de alta pressão, turbina ou sistemas modernos de emissões, mas a D21 é importada e envelheceu fora de uma frota enorme no Brasil, portanto itens específicos de acabamento, componentes de transmissão, peças de carroceria e partes do sistema 4×4 podem exigir pesquisa, peça usada ou importação, enquanto seguro aparece como indisponível em algumas bases e o custo de uma unidade negligenciada pode rapidamente ultrapassar a diferença paga por um exemplar melhor conservado.
A referência mais recente encontrada para a Nissan D21 Pick-Up CD 4×2/4×4 2.7 Diesel 1997 fica próxima de R$ 25,8 mil em 2026 (Código Fipe: 023024-3), enquanto uma Mitsubishi L200 2.5 4×4 CD Turbo Diesel 1997 aparece por cerca de R$ 35,3 mil e uma Toyota Hilux CD 4×4 2.8 Diesel manual do mesmo ano supera R$ 51,5 mil, diferença que coloca a Nissan em posição curiosa para quem quer uma picape diesel antiga com cabine dupla e 4×4 sem pagar os valores alcançados pelas rivais japonesas.
A resposta para a pergunta inicial é simples, a Nissan D21 2.7 4×4 CD 1997 ainda pode servir muito bem a quem aceita desempenho lento, direção de picape antiga e manutenção baseada em prevenção em troca de robustez, capacidade de carga e mecânica diesel relativamente simples, mas deixa de fazer sentido para quem procura conforto, silêncio, segurança moderna ou facilidade absoluta para encontrar qualquer peça, porque nesse tipo de veículo o melhor negócio raramente é a unidade mais barata e quase sempre é aquela que passou 30 anos sendo mantida em vez de apenas usada.
| Ano | 1997 |
|---|---|
| Desvalorização | -1,39% |
| Propulsão | Combustão |
| Combustível | Diesel |
| IPVA | Isento |
| Seguro | Indisponível |
| Revisões | Preços não tabelados |
| Procedência | Importado |
| Garantia | 2 anos |
| Configuração | Picape |
| Porte | Médio |
| Lugares | 5 |
| Portas | 4 |
| Geração | 9 |
| Plataforma | D21 |
| Nota do leitor | 8,5 |
| Índice CNW | 304,73 |
| Ranking CNW | 21405 |
| Instalação | Dianteiro |
|---|---|
| Aspiração | Natural |
| Disposição | Longitudinal |
| Alimentação | Injeção indireta |
| Cilindros | 4 em linha |
| Comando de válvulas | Único no bloco |
| Cilindrada unitária | 666 cm³ |
| Acionamento do comando | Engrenagens |
| Válvulas por cilindro | 2 |
| Diâmetro do cilindro | 96 mm |
| Razão de compressão | 21,8:1 |
| Curso do pistão | 92 mm |
| Deslocamento | 2.663 cm³ |
| Potência máxima | 79 cv a 4.300 rpm |
| Código do motor | TD27 |
| Torque máximo | 17,7 kgfm a 2.200 rpm |
| Peso/potência | 20,82 kg/cv |
| Torque específico | 6,6 kgfm/litro |
| Peso/torque | 92,9 kg/kgfm |
| Potência específica | 29,7 cv/litro |
| Tração | Integral temporária |
|---|---|
| Câmbio | Manual de 5 marchas |
| Acoplamento | Embreagem monodisco a seco |
| Suspensão dianteira | Independente, braços sobrepostos |
|---|---|
| Elemento elástico dianteiro | Barra de torção |
| Suspensão traseira | Eixo rígido |
| Elemento elástico traseiro | Feixe de molas semielípticas |
| Freios dianteiros | Discos ventilados |
|---|---|
| Freios traseiros | Tambores |
| Assistência | Hidráulica |
|---|---|
| Diâmetro de giro | 11,8 m |
| Pneus dianteiros | 215/75 R15 |
|---|---|
| Altura do flanco dianteiro | 161 mm |
| Pneus traseiros | 215/75 R15 |
| Altura do flanco traseiro | 161 mm |
| Comprimento | 4.735 mm |
|---|---|
| Largura | 1.690 mm |
| Distância entre-eixos | 2.950 mm |
| Altura | 1.720 mm |
| Bitola dianteira | 1.425 mm |
| Bitola traseira | 1.385 mm |
| Caçamba | 878 litros |
| Tanque de combustível | 60 litros |
| Peso | 1.645 kg |
| Carga útil | 1.055 kg |
| Altura mínima do solo | 220 mm |
| Velocidade máxima | 135 km/h |
|---|---|
| Aceleração 0 a 100 km/h | 23 s |
| Consumo urbano | 7 km/l |
|---|---|
| Consumo rodoviário | 10 km/l |
| Autonomia urbana | 420 km |
|---|---|
| Autonomia rodoviária | 600 km |