A Toyota Fielder saiu das lojas brasileiras em 2008 e, em teoria, deveria ter seguido o destino normal de quase toda perua daquela época, desaparecer aos poucos enquanto os SUVs ocupavam estacionamentos, garagens e propagandas de televisão, mas alguma coisa deu errado nesse roteiro porque quase vinte anos depois ainda há gente procurando uma, pagando mais de R$ 35 mil e explicando para os amigos que aquilo é basicamente um Corolla com espaço para levar metade da casa.
A Fielder era o Corolla que tinha entendido a vida em família

Entre 2004 e 2008, a Toyota vendeu no Brasil uma ideia bastante simples, pegar o conhecido Corolla, manter boa parte de sua mecânica e colocar atrás dos bancos uma carroceria comprida capaz de receber crianças, malas, compras, carrinhos, caixas e todos aqueles objetos que misteriosamente passam a acompanhar qualquer família depois de alguns anos.
Naquela época isso era absolutamente normal porque famílias compravam peruas, sedans e minivans sem a impressão de que precisavam atravessar uma trilha amazônica todos os dias, e a Fielder encontrou justamente esse público que queria espaço sem dirigir algo enorme.
O porta-malas de 411 litros era parte importante da explicação

A Fielder mede 4,45 metros de comprimento, 1,70 metro de largura e 1,53 metro de altura, enquanto seus 2,60 metros de entre-eixos ajudam a acomodar os passageiros e os 411 litros de porta-malas fazem aquilo que se espera de uma perua, receber bagagem sem obrigar ninguém a estudar engenharia para conseguir fechar a tampa.
Não parece gigantesca vista de fora e isso talvez seja justamente o mais interessante, porque o formato baixo e comprido aproveita o espaço de uma forma que muitos carros mais altos tentam resolver aumentando a carroceria em todas as direções.
O motor 1.8 também veio da escola Corolla
A primeira Fielder brasileira usava motor 1.8 16V aspirado a gasolina com 132 cv e 17,3 kgfm, números que hoje podem parecer modestos diante de motores turbo cheios de números bonitos, mas que naquela época combinavam perfeitamente com a ideia de uma perua familiar feita para trabalhar sem transformar cada saída de semáforo em evento esportivo.
Em 2007 chegou o motor flex, capaz de entregar até 136 cv e 17,5 kgfm com etanol, uma mudança pequena nos números e muito maior na vida de quem passou a poder escolher o combustível antes de seguir viagem.
Quatro marchas automáticas já foram perfeitamente normais

A Fielder podia ter câmbio manual de cinco marchas ou automático de quatro, e aqui aparece uma daquelas coisas que denunciam imediatamente a idade de um carro porque atualmente quatro marchas parecem algo saído de um museu, embora milhares de pessoas tenham viajado tranquilamente com caixas desse tipo durante muitos anos.
O automático tinha como missão tornar a condução mais confortável e o manual entregava uma relação mais direta com o conjunto, sem qualquer tentativa de fingir que a Fielder queria ser esportiva porque, felizmente, ela nunca precisou fazer isso.
Os equipamentos melhoraram quando a idade do projeto começou a aparecer
Dependendo do ano e da versão, a Fielder podia trazer ar-condicionado, direção hidráulica, freios ABS, airbags frontais, rádio com CD player, alarme e rodas de liga leve de 15 polegadas, uma lista bastante aceitável para o período e curiosamente nostálgica para qualquer pessoa que ainda se lembre de quando colocar seis CDs em um carro parecia tecnologia avançada.
As primeiras unidades não tinham piloto automático nem computador de bordo, mas as versões XEi e SE-G lançadas em 2007 receberam ar-condicionado digital, painel com iluminação Optitron, rádio para seis CDs e controle de cruzeiro.
A série S tentou provar que uma perua familiar também podia usar saia lateral

Em 2007 surgiu a série especial S baseada na XEi, limitada a 450 unidades da Fielder e vendida somente na cor preta, com spoilers nos para-choques e saias laterais que tentavam colocar um pouco de drama esportivo em um carro cujo verdadeiro talento continuava sendo levar pessoas e malas.
O Corolla também recebeu 450 unidades da mesma série, numa época em que bastava adicionar alguns detalhes externos e uma cor específica para transformar um carro comum em edição especial, algo que as fabricantes continuam fazendo porque aparentemente funciona.
Depois de vinte anos, manutenção vale mais que reputação
Uma Fielder 2005 já passou dos vinte anos de idade e isso significa que a fama de robustez da Toyota continua sendo relevante, mas não possui poderes mágicos contra falta de manutenção, dono descuidado, fluido vencido ou peça que passou duas décadas cumprindo sua função.
Antes da compra é preciso olhar histórico de revisões, motor, câmbio, suspensão, sistema de arrefecimento, possíveis vazamentos, parte elétrica, ar-condicionado e funcionamento dos equipamentos porque duas Fielder do mesmo ano podem ter histórias completamente diferentes.
Peça de Corolla é uma coisa, acabamento de Fielder é outra
Boa parte da mecânica compartilhada com o Corolla ajuda quando chega a hora de manter o carro rodando, mas algumas peças específicas de acabamento da perua podem exigir paciência porque a Toyota vendeu muito mais sedans do que Fielder e o mercado de reposição naturalmente acompanhou essa diferença.
Entre os pontos negativos estão a fragilidade do acabamento plástico do para-lama, a lista de equipamentos mais simples dos carros produzidos até 2006 e a dificuldade para localizar algumas peças específicas de acabamento.
O motivo de ainda existir procura é bastante simples

A Fielder ficou conhecida pela confiabilidade mecânica, pelo espaço interno, pelo porta-malas generoso, pelo desempenho adequado ao uso familiar e pelo consumo relativamente baixo para um carro desse tamanho.
Ela não precisa fingir ser aventureira, não precisa de plástico preto ao redor da carroceria e não precisa convencer ninguém de que pode subir uma montanha, é apenas uma perua baixa, comprida e prática, exatamente como muitas famílias usavam antes de todo carro familiar ganhar aparência de SUV.
A Fielder continua sendo uma lembrança bastante funcional
Existem carros antigos que sobrevivem porque são bonitos, outros porque são rápidos e alguns porque se tornaram objetos de coleção, mas a Fielder continua aparecendo nos classificados por uma razão bem menos romântica e provavelmente muito mais útil, ela ainda consegue cumprir hoje exatamente o trabalho para o qual foi criada há mais de vinte anos.
Por pouco mais de R$ 35 mil em algumas unidades, ela oferece motor 1.8, espaço familiar, 411 litros de porta-malas e uma mecânica conhecida, desde que alguém tenha cuidado dela durante todos esses anos, porque nenhuma fama de confiabilidade consegue compensar duas décadas de abandono.
Toyota Fielder – Preços na Tabela Fipe
Linha 2005
| Fielder 1.8 gasolina Mec | R$ 36.218 |
| Fielder 1.8 gasolina Aut | R$ 36.286 |
Linha 2006
| Fielder 1.8 gasolina Mec | R$ 37.124 |
| Fielder 1.8 gasolina Aut | R$ 37.194 |
Linha 2007
| Fielder XEi 1.8 Flex Mec | R$ 38.053 |
| Fielder XEi 1.8 Flex Aut | R$ 39.632 |
| Fielder S 1.8 Flex Mec | R$ 39.626 |
| Fielder S 1.8 Flex Aut | R$ 40.550 |
Linha 2008
| Fielder XEi 1.8 Flex Mec | R$ 39.774 |
| Fielder XEi 1.8 Flex Aut | R$ 40.623 |
| Fielder SE-G 1.8 Flex Mec | R$ 42.320 |


