O BMW X1 sDrive20i GP 2020 entrou em agosto com preço médio de R$ 138.104 na Tabela Fipe, valor R$ 50.886 menor que os R$ 188.990 cobrados pelo Hyundai Creta Platinum 2026/2027, uma diferença capaz de colocar um SUV premium usado na mesma pesquisa de quem pretendia sair da concessionária com um compacto novo.
A comparação, porém, envolve carros em momentos muito diferentes, o BMW já acumula seis anos de uso e pode trazer desgaste deixado por antigos proprietários, enquanto o Creta começa a rodar com garantia de fábrica, histórico conhecido e sem despesas imediatas provocadas por pneus, suspensão, bateria ou revisões atrasadas.
No trânsito e na estrada, o X1 oferece uma vantagem clara de desempenho, seu motor 2.0 turbo flex produz 192 cv e 28,5 kgfm de torque, trabalha com câmbio automático de oito marchas e leva o SUV de zero a 100 km/h em 7,7 segundos, enquanto o Creta Platinum usa motor 1.0 turbo de 120 cv, 17,5 kgfm e transmissão automática de seis marchas.
Os 72 cv adicionais ajudam o BMW em saídas, subidas, retomadas e ultrapassagens, principalmente com passageiros e bagagem, mas também representam um conjunto mecânico mais caro de manter, com peças, componentes eletrônicos e serviços ligados a um veículo que custava R$ 196.950 quando novo, ou R$ 189.950 durante a oferta de lançamento da linha 2020.
O espaço para bagagens também favorece o X1, são 505 litros no porta-malas e até 1.550 litros com os bancos traseiros rebatidos, contra 422 litros e até 1.401 litros no Creta, uma diferença de 83 litros na configuração normal, suficiente para acomodar malas maiores sem ocupar o banco traseiro.
O BMW saiu de fábrica com seis airbags, controles de estabilidade e tração, câmera de ré, sensores dianteiros e traseiros, assistente de estacionamento, bancos elétricos, ar-condicionado digital, tampa traseira elétrica e central multimídia de 8,8 polegadas, porém não traz vários sistemas de assistência que já fazem parte do Hyundai novo.
No Creta Platinum, o motorista encontra frenagem autônoma, assistente de permanência e centralização em faixa, câmera de 360 graus, monitoramento de ponto cego, carregador de celular por indução, teto solar panorâmico, sistema Bluelink, painel digital e central multimídia com telas de 10,25 polegadas.
A produção do X1 em Araquari, Santa Catarina, ajuda na rede de atendimento, mas não torna baratos itens como faróis, módulos eletrônicos, pneus run-flat, componentes do motor turbo e peças da transmissão de oito marchas, por isso a economia de quase R$ 51 mil na compra pode diminuir depois de seguro, combustível, revisões e reparos.
Antes de fechar negócio, o histórico precisa mostrar revisões feitas nos períodos corretos, uso do óleo recomendado, ausência de colisões graves, leilão, multas, restrições e recalls pendentes, além de uma inspeção capaz de encontrar vazamentos, falhas eletrônicas, desgaste da suspensão e pneus no fim da vida útil.
Em agosto, anúncios do BMW X1 sDrive20i GP 2020 variavam de cerca de R$ 110 mil a R$ 149 mil, com média de R$ 136.679 na Webmotors, uma distância grande entre unidades do mesmo ano que pode refletir quilometragem, conservação e procedência, enquanto exemplares vendidos pelo programa BMW Premium Selection passam por inspeção de 72 itens e podem ter dois anos de garantia, conforme estoque e regras da rede.
“O BMW X1 mostra como a desvalorização abre a porta de um carro premium para quem pagaria por um SUV compacto novo, mas potência e acabamento não tornam peças, seguro ou oficina mais baratos.”– Opinião de Alan Corrêa, jornalista automotivo