O Fiat 147 completa 50 anos em 2026 como um dos carros ligados diretamente à transformação da indústria brasileira, apresentado em 1976, em Ouro Preto (MG), o compacto marcou o início da produção da Fiat no país e trouxe soluções que ainda não eram comuns entre os automóveis nacionais.
Mesmo pequeno, o modelo aproveitava bem o espaço graças ao motor instalado transversalmente, configuração que deixava mais área disponível para passageiros, enquanto pneus radiais e para-brisa de vidro laminado também faziam parte de um projeto considerado moderno para a década de 1970.
“Era pequeno, mas ajudou o Brasil a fazer história e virar referência mundial como primeiro carro a etanol. Eu lembro do Fiat 147 nas ruas quando era mais novo, era um carro simples, apertado e muito presente no dia a dia das famílias. Naquela época ninguém imaginava que, tantos anos depois, ele seria lembrado por algo tão importante. Hoje, aos 61 anos, dá uma nostalgia enorme ver esse carrinho completar 50 anos e saber que ele carregou um pedaço da história da indústria brasileira.” – Alaor Gomes, Franco da Rocha (SP), 61 anos
O momento que deu dimensão mundial ao 147 ocorreu em 5 de julho de 1979, quando entrou em produção a versão abastecida exclusivamente com etanol, apontada pela Fiat e pela Stellantis como o primeiro automóvel a etanol produzido em série no mundo.
O carro acabou conhecido pelo apelido de “Cachacinha”, em uma época na qual o Brasil buscava diminuir a dependência da gasolina e ampliava o desenvolvimento do álcool combustível, principalmente a partir da cana-de-açúcar.
O trabalho feito naquele período não ficou preso ao 147, o conhecimento acumulado pela indústria com motores abastecidos por etanol continuou sendo desenvolvido nas décadas seguintes e ajudou a construir o caminho que levaria aos motores flex, hoje comuns entre os automóveis brasileiros.
A arquitetura do Fiat 147 permitia acomodar o conjunto mecânico de forma diferente dos carros maiores e tradicionais daquele período, com motor transversal e tração dianteira, solução que posteriormente se espalharia pelos compactos vendidos no país.
O projeto ainda originou diferentes versões e derivados, ajudando a Fiat a ampliar sua presença no Brasil durante seus primeiros anos de produção e levando a mesma base mecânica para outros tipos de carroceria.
Aos 50 anos, o 147 liga dois momentos importantes da indústria nacional, a chegada da Fiat à produção brasileira em 1976 e o início da fabricação seriada da versão a etanol em 1979, apenas três anos depois.
O modelo saiu de produção há décadas, mas a tecnologia que ajudou a colocar nas ruas continua presente no cotidiano brasileiro, o etanol permanece disponível em milhares de postos e os motores flex mantêm o combustível como alternativa direta à gasolina.
Fotos: Stellantis.