Fiat Uno Mille Economy Way 2011 combina motor Fire 1.0 de até 66 cv, câmbio manual de 5 marchas, consumo 13,6 km/l e custa muito menos que um Renault Kwid zero

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O Fiat Uno Mille Economy Way 2011 pertence a uma época curiosa da indústria brasileira, quando comprar um carro pequeno significava aceitar que quase tudo nele seria simples, desde a chave até o motor, em troca da possibilidade bastante agradável de usar o automóvel todos os dias sem precisar discutir com a oficina sobre turbina, módulo eletrônico ou uma peça cujo nome parece ter sido inventado por um engenheiro alemão depois do almoço.

Ele pesa 840 kg, o que é pouco até para os padrões de um carro compacto, e isso explica boa parte do que acontece quando seu motor Fire 1.0 começa a trabalhar, porque existem apenas 66 cv com etanol e 65 cv com gasolina para movimentar o conjunto inteiro, números que hoje parecem pequenos, mas que encontram pela frente um carro menor e mais leve do que praticamente qualquer modelo novo vendido no Brasil.

Motor Fire 1.0 e os 840 kg explicam boa parte do Uno

O Fire 1.0 rende até 66 cv e dá conta da cidade com leveza, mas na estrada as ultrapassagens exigem espaço, giro alto e um pouco de calma.

O motor tem quatro cilindros, 999 cm³, injeção multiponto, duas válvulas por cilindro e comando acionado por correia dentada, com torque máximo de 9,2 kgfm com etanol e 9,1 kgfm com gasolina a 2.500 rpm, uma receita sem qualquer intenção de impressionar alguém no estacionamento, mas bastante conhecida por oficinas e lojas de peças espalhadas pelo país.

Ligado a ele está o câmbio manual C513 de cinco marchas, com embreagem monodisco a seco e tração dianteira, uma combinação que não oferece qualquer espetáculo mecânico, o que neste caso acaba sendo uma qualidade, porque boa parte do apelo do Mille está justamente no fato de que existe pouca coisa entre o pé do motorista e aquilo que realmente faz o carro andar.

Na cidade essa simplicidade funciona melhor do que os números sugerem, pois os 840 kg ajudam o Uno a sair do lugar sem exigir tanto do pequeno Fire, enquanto os 3.693 mm de comprimento e apenas 1.548 mm de largura fazem dele um carro bastante fácil de colocar em vagas apertadas, corredores estreitos e ruas desenhadas em uma época em que ninguém imaginava SUVs com quase cinco metros.

A versão Way acrescenta um pouco de teatro à fórmula com apliques externos e maior altura em relação ao solo, chegando a 190 mm de vão livre, algo bastante útil diante de valetas, lombadas e ruas ruins, embora ninguém deva confundir isso com a chegada repentina de capacidades off-road, porque continua sendo um Uno de tração dianteira calçado com pneus 175/70 R13.

Na estrada, os 66 cv começam a cobrar paciência

O Uno Mille Economy Way 2011 vale para quem quer um usado simples, econômico e barato de manter, sobretudo na cidade e em trajetos curtos.

É na estrada que a física começa a cobrar o que o posto de combustível oferece como recompensa, porque o Uno precisa de 14,7 segundos para chegar aos 100 km/h e alcança velocidade máxima de 153 km/h, o que significa que ele consegue viajar, evidentemente, mas uma ultrapassagem precisa ser planejada com mais atenção do que seria necessário em um carro moderno mais potente.

Com cinco pessoas e bagagem, essa característica fica ainda mais evidente, pois não existe uma reserva escondida de potência esperando uma pisada mais forte no acelerador, então o motorista precisa usar o câmbio, observar a distância disponível e aceitar que certas manobras simplesmente são melhores alguns segundos depois.

O posto de combustível é onde o Mille começa a se defender

Com gasolina, faz 12,1 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada; o tanque de 50 litros leva a autonomia a 605 km ou até 680 km.

O interessante é que essa calma mecânica tem uma compensação bastante concreta, porque com gasolina o Uno Mille 2011 faz 12,1 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada, enquanto com etanol registra 8,4 km/l no uso urbano e 9,5 km/l em rodovia.

Seu tanque leva 50 litros, portanto a autonomia calculada chega a 605 km na cidade e 680 km na estrada com gasolina, enquanto o etanol permite cerca de 420 km no uso urbano e 475 km no rodoviário, números que ajudam a explicar por que o Mille ganhou fama justamente entre pessoas que precisavam usar o carro em vez de conversar sobre ele.

É possível, portanto, percorrer uma distância considerável com um tanque de gasolina dentro de um automóvel que pesa menos de uma tonelada, mas talvez o detalhe mais interessante seja perceber que essa economia não surgiu de nenhuma tecnologia especialmente sofisticada, pois ela nasceu sobretudo da combinação entre pouco peso, motor pequeno, câmbio manual e pneus modestos.

Por dentro, o Uno lembra que nasceu para fazer o básico

Por dentro, leva cinco pessoas, mas o banco traseiro é apertado; a cabine simples atende bem a rotina, compras e pequenas viagens.

Dentro do carro a filosofia continua praticamente intacta, já que existem cinco lugares, embora os passageiros traseiros não devam esperar a hospitalidade de uma sala de estar, enquanto o porta-malas de 290 litros resolve compras, malas pequenas e a vida normal de quem escolheu um hatch de apenas 3,69 metros.

O banco traseiro pode ser rebatido e a carga útil chega a 400 kg, mas o acabamento é simples, com plásticos rígidos e pouca preocupação em criar a sensação de luxo, algo que provavelmente seria difícil de sustentar quando boa parte das unidades sequer saiu de fábrica com todos os equipamentos que hoje parecem básicos.

Ar-condicionado, direção assistida, vidros elétricos dianteiros, travamento central das portas, limpador e lavador traseiro, desembaçador do vidro traseiro, rodas de liga leve, rádio e CD player podiam depender da configuração, portanto encontrar um Uno Mille Economy Way 2011 bem equipado pode mudar bastante a experiência de uso.

A direção merece atenção especial porque a assistência não era garantida em todas as unidades, então um exemplar sem esse recurso continuará sendo leve em movimento, mas poderá exigir algum braço durante manobras, embora o diâmetro de giro de 10 metros e o tamanho reduzido ajudem a manter a situação sob controle.

Suspensão simples e segurança de uma época bem diferente

A segurança é simples, sem airbags e ABS de série, enquanto ar, direção assistida, vidros elétricos e rádio podiam vir como opcionais.

Na suspensão, o conjunto dianteiro utiliza esquema independente McPherson e a ficha registra configuração traseira com feixe de molas semielípticas, enquanto os freios são a disco sólido na dianteira e tambor na traseira, exatamente o tipo de solução que lembra que o projeto nasceu para ser barato, resistente e relativamente simples de reparar.

É também nesse ponto que surge a parte menos simpática da história, porque o Uno Mille Economy Way 2011 não oferece o nível de segurança que hoje se espera de um carro, já que airbags e ABS não faziam parte de seu equipamento de série, uma diferença importante que não pode ser escondida atrás do baixo consumo ou da fama de manutenção barata.

O que olhar antes de comprar um Uno Mille Economy Way 2011

O tempo também transformou a manutenção em algo mais importante do que o próprio nome Fire escrito na ficha técnica, porque um motor conhecido por sua simplicidade ainda depende de correia dentada em ordem, sistema de arrefecimento bem cuidado e revisões feitas no momento correto.

Entre os pontos que merecem atenção aparecem bicos e bobinas, folgas na caixa, trizetas, embreagem, entrada de água no carpete, mangueira de combustível, limpador, chave de seta, dobradiças e sinais de ferrugem, além da necessidade de observar vazamentos, ruídos e qualquer indício de descuido acumulado.

Isso significa que comprar um Mille apenas porque ele tem fama de resistente seria uma forma bastante eficiente de transformar uma boa ideia em uma conta ruim, pois carros simples também envelhecem e peças baratas continuam custando dinheiro quando várias precisam ser trocadas ao mesmo tempo.

Suspensão, embreagem, lataria e funcionamento da injeção merecem uma inspeção cuidadosa, enquanto um histórico de manutenção coerente vale mais do que uma quilometragem aparentemente baixa sem qualquer documento capaz de explicar como aquele carro passou os últimos anos.

Preço entre R$ 25 mil e R$ 30 mil muda conforme o estado do carro

Os valores aproximados ficam entre R$ 25 mil e R$ 30 mil conforme estado, opcionais e quilometragem, portanto existe uma distância importante entre comprar um Uno barato e comprar um Uno bom, porque o primeiro pode apenas ter um preço menor enquanto o segundo precisa demonstrar que os antigos donos fizeram sua parte.

O Uno Mille ainda faz sentido porque nunca tentou ser outra coisa

E é justamente aí que o Mille Economy Way 2011 fica interessante tantos anos depois, pois ele não tenta vencer carros modernos em potência, segurança ou conforto e certamente não deveria ser comprado imaginando que conseguirá fazer isso, mas continua oferecendo uma combinação que desapareceu de boa parte do mercado, formada por 840 kg, mecânica conhecida, dimensões pequenas e possibilidade de percorrer até 680 km com um tanque de gasolina.

Ele leva 14,7 segundos para chegar aos 100 km/h, oferece apenas o essencial em segurança e pode parecer rudimentar quando comparado a um compacto atual, mas também pode ser estacionado facilmente, mantido por praticamente qualquer oficina e usado durante muitos quilômetros sem transformar cada abastecimento em um acontecimento financeiro.

No fim, o Fiat Uno Mille Economy Way 2011 não permanece interessante porque tenha alguma qualidade escondida ou porque o tempo tenha apagado seus defeitos, mas justamente porque tudo nele está bastante claro, ele é pequeno, lento, simples, econômico e barato de entender, e para determinado tipo de comprador isso ainda pode ser exatamente o que um carro precisa ser.

Alan Correa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado, com foco em durabilidade e custo-benefício.