O IPVA virou terreno fértil para golpes no Brasil em 2026, inclusive contra donos de carros que já estão legalmente isentos do imposto. A fraude cresce justamente onde o boleto não deveria mais existir, e muita gente ainda cai.
A lógica do golpe é simples e eficaz, explorar a confusão causada pelas regras estaduais, pela mudança de prazos de isenção e pelo hábito automático de pagar imposto todo começo de ano. Criminosos sabem que boa parte dos motoristas não confere a situação do veículo antes de pagar. O resultado é uma enxurrada de cobranças falsas chegando por WhatsApp, SMS, e-mail e até links patrocinados em buscadores, todos com aparência oficial e valores plausíveis.
O golpe mais comum hoje começa em sites falsos que imitam páginas da Secretaria da Fazenda e do Detran. Visual limpo, brasão do estado, campo para Renavam e placa, tudo parece legítimo. Ao final, o sistema gera um boleto ou um QR Code de Pix. O pagamento acontece, o dinheiro some e o IPVA continua inexistente no sistema oficial. Em alguns casos, o motorista só descobre o golpe meses depois, ao tentar licenciar o carro e perceber que nunca houve débito real.
Outra armadilha frequente é a promessa de desconto fora do padrão. Mensagens anunciam abatimentos que não existem na regra oficial, muitas vezes superiores a 10% ou 15%, com prazo curto para pagamento. A pressão psicológica é calculada. Quem tem carro antigo, inclusive já isento, acaba pagando por medo de restrição, multa ou bloqueio no licenciamento.
Há também casos de boletos enviados por e-mail ou mensagem com dados corretos do veículo. Isso confunde ainda mais. Os criminosos usam informações vazadas para personalizar a cobrança, o que dá falsa sensação de legitimidade. O detalhe decisivo quase sempre passa despercebido, o beneficiário do pagamento não é o governo estadual. No Pix, o nome exibido no app do banco não corresponde à Secretaria da Fazenda. No boleto, o código de barras direciona o valor para uma conta privada.
Em estados onde a isenção é automática, como nos casos de veículos com 20 anos ou mais, o golpe encontra terreno ainda mais fácil. O sistema oficial deixa de lançar o imposto, mas o motorista, por hábito ou desinformação, aceita a cobrança falsa sem questionar. É dinheiro jogado fora, sem qualquer efeito legal.
A checagem correta é direta e não muda de estado para estado. IPVA verdadeiro só pode ser consultado e gerado no site oficial do governo estadual, sempre com domínio .gov.br. Não existe cobrança válida enviada por WhatsApp, SMS ou e-mail com link de pagamento. Se o débito não aparece ao consultar o Renavam no sistema oficial, não há imposto a pagar. Simples assim.
Em 2026, com mais carros fora do IPVA por idade e regras estaduais mais flexíveis, o risco não é dever imposto, é pagar o que não existe. Conferir antes de pagar deixou de ser cuidado básico, virou defesa contra golpe.
Com a virada do ano e a chegada dos boletos do IPVA 2026, cresce a ansiedade de quem mantém um carro mais antigo na garagem. O que quase ninguém percebe é que uma parcela relevante desses veículos já ultrapassou a idade mínima exigida por lei para ficar totalmente isenta do imposto, o que significa economia direta e imediata no orçamento anual, sem truque e sem benefício provisório.
| O que muda | Regra |
|---|---|
| Regra nacional | Veículos com 20 anos ou mais de fabricação |
| Quem entra em 2026 | Carros fabricados em 2006 |
| Critério válido | Ano de fabricação, não ano-modelo |
| Estados com regra própria | Mantêm prazos menores já existentes |