Hatch esquecido no mercado de usados pode ser um bom negócio: Kia Picanto EX 2012 automático custa R$ 40 mil e entrega conforto urbano, mas exige atenção às peças e ao desempenho

Publicado por em Kia dia | Atualizado em
Hatch esquecido no mercado de usados pode ser um bom negócio: Kia Picanto EX 2012 automático custa R$ 40 mil e entrega conforto urbano, mas exige atenção às peças e ao desempenho

Com apenas 3,59 metros de comprimento, câmbio automático convencional e motor de até 80 cv, o Kia Picanto EX 2012 oferece uma combinação difícil de encontrar entre os carros urbanos usados.

O Kia Picanto EX serve a quem roda na cidade, quer automático de verdade e aceita pouco espaço; bem cuidado, ainda vale como usado.
O Kia Picanto EX serve a quem roda na cidade, quer automático de verdade e aceita pouco espaço; bem cuidado, ainda vale como usado.

Ele cabe em vagas pequenas, dispensa o pedal de embreagem e entrega equipamentos incomuns entre os populares de sua época. A questão é saber se esse compacto importado ainda representa uma compra racional ou se a baixa oferta de algumas peças transforma a economia inicial em problema.

O Brasil comprava carros, mas já começava a calcular os custos

Quando a segunda geração do Picanto desembarca no Brasil, em 2011, o país ainda vive um mercado automotivo aquecido pelo crédito e pelo aumento do consumo. A economia, porém, perde força diante da crise internacional, enquanto as famílias começam a observar com mais cuidado o gasto mensal provocado pelo carro.

O Kia Picanto EX usado ainda vale a pena na cidade
O Kia Picanto EX usado ainda vale a pena na cidade

A gasolina custa perto de R$ 2,75 por litro no fim daquele ano, e o crescimento das grandes cidades aumenta a procura por veículos menores, econômicos e fáceis de estacionar. A Kia identifica espaço para um modelo que ocupa pouco espaço nas ruas, mas oferece mais conforto e equipamentos que os populares nacionais.

Um subcompacto criado para diminuir o esforço na cidade

O Picanto não nasce para enfrentar estradas de terra, carregar muita bagagem ou transportar cinco adultos em viagens longas. Sua missão é essencialmente urbana: atender motoristas que enfrentam congestionamentos, vagas apertadas e trajetos curtos, mas desejam dirigir sem trocar marchas constantemente.

O principal argumento da versão EX está no câmbio automático de quatro marchas com conversor de torque, diferentemente das antigas caixas automatizadas de uma embreagem, o sistema não interrompe a aceleração de forma tão evidente durante as mudanças e oferece funcionamento mais suave no anda e para, além disso, ele é bem mais confortável para o dia a dia do que a versão manual do Picanto 2012.

O motor de 80 cv exige paciência fora da cidade

O motor 1.0 flex de três cilindros entrega 80 cv e 10,2 kgfm com etanol, ou 77 cv e 9,6 kgfm com gasolina. Como o carro pesa cerca de 970 kg, o conjunto responde de maneira suficiente em avenidas planas, saídas de semáforo e deslocamentos com poucos ocupantes.

O motor 1.0 flex entrega até 80 cv: é esperto no trânsito, mas pede calma em subidas, ultrapassagens e viagens com o carro cheio.
O motor 1.0 flex entrega até 80 cv: é esperto no trânsito, mas pede calma em subidas, ultrapassagens e viagens com o carro cheio.

A limitação aparece em subidas, ultrapassagens e viagens com o carro carregado. A aceleração de zero a 100 km/h leva aproximadamente 17,1 segundos com etanol, enquanto as quatro marchas deixam o motor mais ruidoso em velocidades rodoviárias. Ele mantém o ritmo, mas exige planejamento antes de qualquer retomada.

O consumo registrado em teste chega a 9,6 km/l na cidade e 12 km/l na estrada com etanol. Com tanque de 35 litros, a autonomia rodoviária pode alcançar aproximadamente 420 km, desde que o veículo esteja revisado e seja conduzido sem acelerações constantes.

O tamanho resolve vagas, mas limita passageiros e bagagem

Com 3,59 metros de comprimento e 1,59 metro de largura, o Picanto circula com facilidade por ruas estreitas e precisa de pouco espaço para estacionar. A direção elétrica reduz o esforço nas manobras, a área envidraçada favorece a visibilidade e os comandos da cabine ficam próximos do motorista.

Com 3,60 m de comprimento, 1,60 m de largura e 2,39 m entre os eixos, entra facilmente em vagas apertadas e leva até cinco pessoas.
Com 3,60 m de comprimento, 1,60 m de largura e 2,39 m entre os eixos, entra facilmente em vagas apertadas e leva até cinco pessoas.

O espaço interno funciona melhor para duas pessoas ou uma família com crianças. Dois adultos cabem no banco traseiro em deslocamentos curtos, mas pernas e ombros ficam limitados em viagens. O porta-malas de aproximadamente 200 litros recebe compras e malas pequenas, porém fica atrás de hatches compactos maiores.

Equipamentos ainda diferenciam o Picanto dos populares

A versão EX pode reunir ar-condicionado, direção elétrica, vidros, travas e retrovisores elétricos, rodas de liga leve e sistema de som. Algumas unidades possuem teto solar, iluminação por LEDs e airbags adicionais, mas o pacote varia conforme o ano e o lote de importação.

A direção elétrica facilita manobras, enquanto a tração dianteira e o automático de quatro marchas deixam a condução leve e confortável.
A direção elétrica facilita manobras, enquanto a tração dianteira e o automático de quatro marchas deixam a condução leve e confortável.
Ar-condicionado, direção elétrica, vidros e travas elevam o conforto; algumas unidades ainda trazem teto solar e seis airbags.
Ar-condicionado, direção elétrica, vidros e travas elevam o conforto; algumas unidades ainda trazem teto solar e seis airbags.
A cabine leva cinco, mas acomoda melhor quatro; o porta-malas de 200 litros atende compras e malas pequenas, não viagens em família.
A cabine leva cinco, mas acomoda melhor quatro; o porta-malas de 200 litros atende compras e malas pequenas, não viagens em família.
O porta-malas de 292 litros acomoda compras e malas pequenas no dia a dia; em viagens, atende duas pessoas, mas exige organização com mais passageiros.
O porta-malas de 292 litros acomoda compras e malas pequenas no dia a dia; em viagens, atende duas pessoas, mas exige organização com mais passageiros.

Também é necessário confirmar se o carro possui freios ABS. Parte das primeiras unidades da segunda geração chega ao Brasil sem o equipamento, enquanto exemplares posteriores recebem uma configuração de segurança mais completa. A inspeção precisa considerar o veículo real, não apenas a descrição do anúncio.

Idade e conservação preocupam mais que defeitos crônicos

Segundo o QuatroRodas, não há evidência consistente de uma falha grave que condene todos os Picanto dessa geração. Os principais riscos estão relacionados à idade, à manutenção atrasada e ao uso de fluidos inadequados, especialmente na transmissão automática. Trancos fortes, demora para engatar e vazamentos exigem avaliação especializada.

Relatos envolvendo ruídos na partida e falhas no marcador de combustível aparecem em levantamentos sobre o modelo, mas não atingem obrigatoriamente todas as unidades. Bateria, motor de arranque, boia do tanque, buchas, amortecedores e componentes elétricos precisam ser examinados antes da compra.

Peças de motor são encontradas, mas acabamento pode custar caro

O compartilhamento da família do motor com modelos da Hyundai facilita a procura por filtros, velas, correias e componentes de manutenção periódica. Oficinas independentes familiarizadas com veículos coreanos também conseguem executar grande parte dos serviços mecânicos.

O problema aparece em lanternas, para-choques, molduras, peças internas e componentes específicos da carroceria. A oferta é menor que a encontrada para Mobi, Kwid e Onix, e um carro batido ou incompleto pode exigir procura demorada e gastos incompatíveis com seu valor de mercado.

Preço do Kia Picanto EX automático em julho de 2026

O Kia Picanto EX 1.0 flex automático 2012, código Fipe 018060-2, custa em média R$ 40.174 na referência de julho de 2026. Os anúncios pesquisados aparecem aproximadamente entre R$ 34.900 e R$ 49.900, conforme quilometragem, histórico e estado de conservação.

Por esse valor, o comprador encontra unidades de Mobi e Kwid mais novas, porém geralmente manuais e menos equipadas. O Picanto oferece câmbio automático convencional e acabamento mais cuidadoso, mas perde em espaço, facilidade de revenda e disponibilidade de peças de carroceria.

O Kia Picanto automático ainda vale a pena?

O Picanto vale a pena para quem procura um carro pequeno, automático e destinado principalmente ao trânsito urbano. Uma unidade bem conservada oferece condução confortável, consumo controlado e equipamentos que ainda superam versões básicas de subcompactos mais recentes.

A compra não é indicada para quem viaja carregado, utiliza estradas ruins, precisa de porta-malas amplo ou não aceita esperar por peças específicas. Seu legado está em demonstrar que um automóvel 1.0 poderia oferecer câmbio automático de verdade sem abandonar a proposta econômica, mesmo que desempenho e espaço nunca tenham sido suas prioridades.

“O Picanto não tenta convencer ninguém de que um motor 1.0 automático é esportivo. Ele apenas reduz o esforço de dirigir na cidade, cabe onde carros maiores não cabem e entrega certo refinamento. O problema começa quando uma simples lanterna lembra que ele continua sendo um importado pouco vendido.” – Opinião de Alan Corrêa, jornalista automotivo

Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.