A VW Saveiro pode virar a última chance de comprar a picape compacta da Volkswagen antes da chegada da Tukan em 2027, com motor 1.6 de 116 cv e caçamba de até 924 litros, mas algumas unidades quase novas já acumulam idas à concessionária por causa da luz da injeção.
A Volkswagen Tukan chega ao Brasil no primeiro semestre de 2027 para ocupar o espaço hoje dominado pela Saveiro, com cabine simples para o trabalho e cabine dupla para passageiros, uma mudança grande depois de décadas de carreira da atual picape, mas há uma reviravolta para quem pensa em esperar: a Volkswagen ainda não marcou uma data oficial para encerrar a produção da Saveiro.
A Saveiro 2025 e a 2026 são quase o mesmo carro, o que pode soar pouco empolgante, mas no mercado de usados isso tem uma vantagem bastante simples: não há uma revolução escondida entre um ano e outro, as quatro versões continuam sendo Robust Cabine Simples, Trendline Cabine Simples, Robust Cabine Dupla e Extreme Cabine Dupla, todas com o conhecido EA211 1.6 MSI flex aspirado e câmbio manual de cinco marchas.
Esse motor entrega 116 cv com etanol e 106 cv com gasolina, além de até 16,1 kgfm de torque, números que hoje parecem quase modestos diante da moda dos turbos, mas a Saveiro nunca precisou fingir que é esportiva, nas versões de cabine simples ela faz o 0 a 100 km/h perto dos 10 segundos e chega a cerca de 181 km/h.
É atrás da cabine que a escolha realmente muda. Robust e Trendline Cabine Simples têm 924 litros de caçamba e capacidade de carga próxima de 660 kg, enquanto Robust e Extreme Cabine Dupla reduzem esse espaço para cerca de 580 litros, em troca de bancos traseiros e capacidade para levar até cinco pessoas, o tanque é sempre de 55 litros.
No consumo, não há milagre nem desastre, com gasolina as versões ficam em torno de 11,2 a 11,3 km/l na cidade e podem chegar a 12,9 km/l na estrada, enquanto com etanol os números ficam perto de 7,7 a 7,9 km/l no uso urbano e chegam a aproximadamente 8,8 km/l em rodovia.
A Robust é a Saveiro que não tenta esconder sua função de ferramenta, mas mesmo assim traz ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricas, sensor de estacionamento, controles de estabilidade e tração, assistente de partida em subida e freios a disco nas quatro rodas, já a Trendline acrescenta retrovisores elétricos, computador de bordo e chave com controle remoto.
A Extreme segue pelo caminho oposto, pega a cabine dupla e tenta deixá-la mais parecida com um carro de passeio, com rodas de liga leve aro 15, câmera de ré, central multimídia de 9 polegadas, volante multifuncional, bancos revestidos em couro, capota marítima, santantônio e rack de teto, enquanto o pacote Tech adiciona controle de velocidade de cruzeiro, sensores de chuva e luminosidade, retrovisor fotocrômico e controle de descida.
A parte menos agradável começa no painel, porque há relatos repetidos de luz da injeção acendendo em Saveiro 2025 e 2026 com baixa quilometragem, incluindo Robust, Trendline e Extreme que passaram mais de uma vez pela concessionária depois de o aviso ser apagado ou de alguma intervenção eletrônica ser feita.
Em respostas públicas a consumidores, a própria Volkswagen relacionou alguns desses casos ao código P0461 e disse ter desenvolvido uma atualização de software para a unidade do motor, depois distribuída à rede de concessionárias, o código está ligado ao sinal do sistema que monitora o nível de combustível, portanto a luz acesa não significa automaticamente que o 1.6 esteja prestes a se desfazer por dentro.
Também existem reclamações isoladas sobre ruído no motor, banco do motorista, ar-condicionado e componentes de suspensão, mas nenhuma delas aparece com a mesma repetição da luz de injeção, por isso uma Saveiro usada desses anos merece algo muito menos romântico do que admiração pela caçamba: histórico de revisão, ordens de serviço e confirmação de atualização eletrônica, especialmente se o carro já voltou mais de uma vez à concessionária pelo mesmo alerta.
A Volkswagen Tukan chega ao mercado brasileiro no primeiro semestre de 2027, será produzida em São José dos Pinhais (PR) e terá 76% de peças nacionais, com versões de cabine simples e dupla para atender tanto o trabalho quanto o uso familiar, disputando espaço com a Fiat Strada.
A nova picape usa a plataforma MQB, derivada do T-Cross, mas recebeu entre-eixos ampliado e suspensão traseira específica com feixe de molas para suportar cargas, enquanto o visual próprio combina faróis de LED do Nivus, caixas de roda marcadas e lanternas traseiras de LED.
A Volkswagen ainda não revelou preços, motores ou equipamentos completos, mas confirmou que a Tukan faz parte da estratégia de eletrificação da marca na América do Sul e poderá receber tecnologias que também estarão presentes em futuros lançamentos.