Carros elétricos de R$ 140 mil desvalorizaram e já são vendidos por R$ 64 mil como usados; veja lista e o que olhar antes de comprar

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Carros elétricos de R$ 140 mil desvalorizaram e já são vendidos por R$ 64 mil como usados; veja lista e o que olhar antes de comprar

Comprar um carro elétrico por mais de R$ 140 mil e descobrir poucos anos depois que ele vale perto de R$ 64 mil parece uma conta difícil de explicar, mas foi exatamente isso que aconteceu com parte da primeira geração de elétricos vendida no Brasil, porque o mercado mudou rápido, novos modelos chegaram com baterias maiores, mais autonomia e preços menores, enquanto aqueles pioneiros começaram a disputar compradores como usados em um cenário completamente diferente daquele encontrado quando saíram das concessionárias.

Um levantamento do banco BV mostra o tamanho dessa virada, pois os elétricos ano 2022 acumulavam desvalorização média de 50,10% até agosto de 2026, enquanto híbridos da mesma idade perderam 22,59% e carros a combustão comparáveis ficaram em 14,07%, já nos modelos 2023 a perda dos elétricos caiu para 46,15%, contra 26,36% dos híbridos e 21,72% dos carros a combustão, sinal de que a diferença continua grande, mas começa a diminuir.

A Fenauto aponta uma divisão importante nessa história, porque eletrificados com até dois anos ainda encontram pouca oferta no mercado de seminovos e podem segurar melhor o preço, enquanto carros acima de 36 meses começam a sentir mais a chegada de novas baterias, maior autonomia, recarga mais rápida e modelos que custam menos quando novos.

Renault Kwid E-Tech

Renault Kwid E-Tech: compacto elétrico urbano, simples de dirigir e econômico no uso diário, mas a autonomia curta e a rápida evolução dos rivais pesam entre os usados.
Renault Kwid E-Tech: compacto elétrico urbano, simples de dirigir e econômico no uso diário, mas a autonomia curta e a rápida evolução dos rivais pesam entre os usados.

O Renault Kwid E-Tech chegou ao Brasil em 2022 custando R$ 142.990 e parecia abrir uma nova porta para quem queria abandonar a gasolina, mas quatro anos foram suficientes para virar completamente essa conta, porque o compacto passou a ter valor próximo de R$ 64 mil na Tabela Fipe, uma queda de 55,2% que deixou mais da metade do preço original pelo caminho.

O problema para quem comprou novo foi ver o mercado correr mais rápido que o próprio carro, porque aquela geração ficou com autonomia de até 185 quilômetros enquanto modelos recentes passaram a entregar distâncias maiores por preços próximos ou até menores, criando uma comparação difícil para um usado que precisa convencer alguém a abrir mão da tecnologia mais nova.

Para quem compra agora a história fica diferente, porque os mesmos R$ 64 mil que representam uma perda enorme para o primeiro dono também colocam um elétrico que nasceu acima dos R$ 140 mil em uma faixa muito mais baixa, mas ainda é necessário verificar bateria, histórico de revisões, carregamento e autonomia antes de tratar a queda de preço como oportunidade automática.

Nissan Leaf

Nissan Leaf: hatch médio com 150 cv, bom espaço interno e desempenho forte, mas exige atenção ao estado da bateria e ao padrão de recarga rápida CHAdeMO.
Nissan Leaf: hatch médio com 150 cv, bom espaço interno e desempenho forte, mas exige atenção ao estado da bateria e ao padrão de recarga rápida CHAdeMO.

O Nissan Leaf viveu uma transformação ainda mais curiosa, porque foi um dos nomes que ajudaram a apresentar o carro elétrico ao brasileiro, chegou a custar R$ 195.900 na comparação de lançamento usada no levantamento e hoje aparece com valor de R$ 90.497, uma perda de 53,8%, enquanto unidades mais antigas também são encontradas anunciadas por aproximadamente R$ 86 mil.

Ele não é um pequeno elétrico urbano, porque leva cinco ocupantes, tem porta-malas de 435 litros, motor de 150 cv e 32,6 kgfm, acelera de zero a 100 km/h em 7,9 segundos e usa bateria de 40 kWh, com autonomia oficial atual de 192 quilômetros pelo Inmetro ou cerca de 260 quilômetros em uso urbano.

O detalhe que muda a compra está escondido longe do preço, porque o Leaf usa recarga rápida CHAdeMO, padrão menos comum no Brasil que o CCS2 adotado pelos elétricos mais novos, e sua bateria não possui o mesmo controle térmico líquido usado por vários projetos atuais, por isso exposição frequente a temperaturas elevadas e sucessivas cargas rápidas merece atenção especial.

Quem encontrar um Leaf barato precisa olhar além das barras de capacidade mostradas no painel e pedir um diagnóstico eletrônico com o estado de saúde da bateria, conhecido como SoH, porque é esse número, junto da idade, quilometragem e histórico de uso, que ajuda a mostrar quanto da capacidade original ainda está disponível.

JAC E-JS1

JAC E-JS1: elétrico pequeno e leve, pensado para cidade, com motor de 62 cv e autonomia limitada, mas pede cuidado com bateria, peças e disponibilidade de assistência.
JAC E-JS1: elétrico pequeno e leve, pensado para cidade, com motor de 62 cv e autonomia limitada, mas pede cuidado com bateria, peças e disponibilidade de assistência.

O JAC E-JS1 entrou nessa segunda vida dos elétricos como um dos modelos com maior quantidade de anúncios abaixo de R$ 80 mil, com exemplares aparecendo perto de R$ 70 mil, valor que coloca um carro elétrico em uma faixa onde durante muitos anos o comprador brasileiro procurava apenas hatches usados a combustão.

Seu motor elétrico entrega 62 cv e 15,3 kgfm para as rodas dianteiras, enquanto a bateria de 31,4 kWh permite autonomia oficial de 181 quilômetros nas versões mais recentes pelo Inmetro e pode chegar a cerca de 250 quilômetros em circulação urbana nas condições citadas pelo levantamento.

Essa ficha combina melhor com deslocamentos pela cidade do que com viagens frequentes, e o preço baixo precisa ser colocado ao lado de questões como tamanho atual da rede da JAC, disponibilidade de peças, histórico das revisões e diagnóstico eletrônico da bateria antes da compra.

Caoa Chery iCar

Caoa Chery iCar: minúsculo elétrico urbano de tração traseira, fácil de manobrar e econômico, mas com pouco porta-malas, autonomia curta e oferta pequena no mercado usado.
Caoa Chery iCar: minúsculo elétrico urbano de tração traseira, fácil de manobrar e econômico, mas com pouco porta-malas, autonomia curta e oferta pequena no mercado usado.

O Caoa Chery iCar custava R$ 139.990 quando novo e entrou no mercado com tamanho quase de carro de brinquedo, motor traseiro e proposta totalmente urbana, mas as vendas pequenas fizeram com que hoje existam menos unidades disponíveis do que em alguns de seus rivais.

O carro tem motor traseiro de 61 cv e 15,3 kgfm, bateria de 30,8 kWh e autonomia oficial atual de 197 quilômetros pelo Inmetro, enquanto os antigos 282 quilômetros divulgados no lançamento pertenciam a outro ciclo de medição e não devem ser comparados diretamente com os números atuais.

Com apenas 3,20 metros de comprimento e porta-malas perto de 100 litros, o iCar cabe com facilidade na rotina urbana, mas limita bagagem e viagens longas, por isso a compra usada precisa incluir avaliação da suspensão, ar-condicionado, recarga em corrente alternada e contínua, cabo de carregamento e parte inferior da bateria.

BYD Dolphin Mini

BYD Dolphin Mini: elétrico compacto com bateria LFP, até 280 km de autonomia e boa presença da marca no Brasil, além de manter valor melhor que vários pioneiros do segmento.
BYD Dolphin Mini: elétrico compacto com bateria LFP, até 280 km de autonomia e boa presença da marca no Brasil, além de manter valor melhor que vários pioneiros do segmento.

Quando parecia que todo elétrico usado estava condenado a perder metade do preço, o BYD Dolphin Mini apareceu no outro lado da história, porque o exemplar mais barato encontrado na pesquisa do R7 custava R$ 91 mil e boa parte dos anúncios ainda passava dos R$ 100 mil, mostrando uma retenção de valor diferente daquela vista nos pioneiros.

O Dolphin Mini usa motor dianteiro de 75 cv e 13,8 kgfm, bateria Blade de 38 kWh com química de fosfato de ferro-lítio e autonomia de até 280 quilômetros pelo Inmetro, enquanto a velocidade máxima é limitada a 130 km/h e o zero a 100 km/h acontece em 14,9 segundos.

O modelo também chegou a um mercado no qual a BYD já possui presença maior, mais concessionárias e volume elevado de carros vendidos, enquanto a bateria teve garantia originalmente anunciada de oito anos sem limite de quilometragem, embora qualquer comprador de usado precise confirmar quais condições realmente valem para o ano e o chassi daquele carro.

Mesmo sendo mais novo, ele não deve ser comprado apenas porque perdeu menos valor, porque relatório de saúde da bateria, histórico de revisões, teste das duas formas de recarga, estado dos cabos, conector e possíveis mensagens de erro continuam fazendo parte da inspeção.

Jaguar I-Pace

Jaguar I-Pace: SUV elétrico de 400 cv, tração integral e desempenho de esportivo, mas bateria, suspensão, eletrônica, seguro e peças continuam tendo custo de carro premium.
Jaguar I-Pace: SUV elétrico de 400 cv, tração integral e desempenho de esportivo, mas bateria, suspensão, eletrônica, seguro e peças continuam tendo custo de carro premium.

O Jaguar I-Pace leva essa história para uma faixa completamente diferente, porque um elétrico que nasceu como automóvel premium de centenas de milhares de reais passou a aparecer anunciado perto de R$ 200 mil, colocando desempenho de esportivo dentro do preço de muitos SUVs atuais.

Seus dois motores elétricos trabalham nos dois eixos e entregam juntos 400 cv e 71 kgfm, a tração é integral, o zero a 100 km/h leva 4,8 segundos, a bateria tem 90 kWh e a autonomia oficial atual chega a 298 quilômetros pelo Inmetro.

O preço usado pode ter caído, mas pneus, suspensão, seguro, eletrônica e peças continuam pertencendo a um Jaguar, por isso comprar barato não significa manter barato, principalmente quando qualquer falha pode envolver sistemas muito mais caros do que aqueles encontrados nos compactos elétricos.

Nesse caso a inspeção precisa passar pela bateria, carregador interno, climatização do conjunto, suspensão pneumática quando presente e todos os sistemas eletrônicos, porque uma avaliação em oficina especializada ou concessionária pode separar um carro muito desvalorizado de uma conta futura difícil de pagar.

Por que esses elétricos perderam tanto valor

A resposta aparece quando se olha o que aconteceu com os carros novos, porque modelos vendidos há quatro anos com menos de 200 quilômetros de autonomia passaram a enfrentar veículos recentes capazes de rodar mais e custar menos, enquanto reduções de preço feitas pelas próprias fabricantes também empurraram para baixo o valor dos usados.

O Nissan Leaf chegou a custar R$ 294.624 antes de sair de linha, o Renault Kwid E-Tech partiu de R$ 142.900 em uma das referências citadas pelo levantamento e o Caoa Chery iCar custava R$ 139.990, enquanto hoje um BYD Dolphin Mini parte de R$ 109.990 com 280 quilômetros de autonomia e o Geely EX2 aparece a partir de R$ 123.800 com alcance de 289 quilômetros.

Quando um carro novo passa a oferecer bateria melhor, mais autonomia e tecnologia recente por menos dinheiro do que custava um elétrico antigo, o comprador do usado exige um desconto grande para aceitar aquela geração anterior, e é dessa diferença que nasceram algumas das quedas superiores a 50% vistas agora.

O que verificar antes de comprar um elétrico usado

O primeiro número que merece atenção não está no anúncio nem na Tabela Fipe, mas no estado de saúde da bateria, porque um SoH de 90% indica aproximadamente 90% da capacidade útil original e precisa ser analisado junto com idade, quilometragem e forma como aquele carro foi utilizado.

Também vale carregar o veículo completamente, acompanhar o consumo durante um teste mais longo, verificar a recarga residencial e rápida, conferir cabos e conectores e inspecionar a parte inferior do carro, porque pancadas em lombadas, pedras ou guias podem atingir a proteção da bateria mesmo quando nenhuma luz de falha aparece no painel.

Carros elétricos dispensam óleo de motor, velas e várias peças comuns nos modelos a combustão, mas continuam usando itens como fluido de freio, óleo do redutor, filtro de cabine, bateria auxiliar de 12 volts e líquidos de arrefecimento específicos, por isso o plano de manutenção de cada fabricante precisa ser conferido antes da compra.

A queda que assustou quem pagou caro quando esses carros eram novidade abriu uma porta inesperada para quem compra usado agora, mas o verdadeiro preço de um elétrico de primeira geração não termina no anúncio, porque bateria, recarga, peças, seguro, assistência técnica e histórico de manutenção precisam entrar na conta antes de transformar uma desvalorização de 50% em bom negócio.

Extra híbrido plug-in: Jeep Compass 4xe

Jeep Compass 4xe: SUV híbrido plug-in que combina motor a combustão e eletrificação, com bom porte e equipamentos, mas sofreu forte perda de valor com o avanço dos novos híbridos.
Jeep Compass 4xe: SUV híbrido plug-in que combina motor a combustão e eletrificação, com bom porte e equipamentos, mas sofreu forte perda de valor com o avanço dos novos híbridos.

Nem mesmo um híbrido plug-in escapou dessa mudança, porque o Jeep Compass 4xe saiu de R$ 349 mil para R$ 177.777 na comparação apresentada pelo levantamento, uma redução de 49,1% que colocou quase metade do preço original para trás em um período no qual o mercado de eletrificados ganhou muito mais opções.

O Compass mostra que a mudança não ficou limitada aos pequenos elétricos, porque a chegada de novas tecnologias, novos concorrentes e preços mais agressivos também atingiu carros híbridos que chegaram ao mercado em uma fase na qual esse tipo de conjunto ainda era muito menos comum no Brasil.

Com informações de Uol, R7 e Vrum.

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Alan Correa
Alan Correa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lancamentos e monitorar a desvalorizacao de usados. No Carro.Blog.br, assina testes tecnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-beneficio.