Comprar um automático usado pode ser uma daquelas pequenas vitórias da vida, você entra no carro, seleciona o D e deixa a máquina cuidar das marchas enquanto enfrenta o trânsito com muito mais conforto, mas alguns modelos vendidos no Brasil escondem justamente na transmissão o componente que exige mais atenção antes da compra.
O curioso é que muitos deles continuam sendo bons carros, confortáveis, interessantes e até divertidos de dirigir, por isso aparecem no mercado de usados com preços tentadores, mas quando determinados câmbios começam a apresentar trepidações, hesitações ou falhas de atuação aquela compra aparentemente brilhante pode ganhar um inesperado endereço na oficina.
O Fiesta Titanium PowerShift 2016 é fácil de gostar, tem direção precisa, bom acabamento, equipamentos interessantes e um acerto de suspensão que ainda consegue fazer muita coisa mais nova parecer sem graça, combinação que ajuda a explicar por que continua atraente no mercado de usados brasileiro.
O problema está no PowerShift DPS6 de seis marchas e dupla embreagem a seco, usado no Brasil também em versões do Focus e EcoSport, conjunto que acumulou histórico de trepidações, hesitações, ruídos, desgaste prematuro das embreagens e contaminação por fluido, por isso esses Ford podem continuar muito agradáveis de dirigir quando estão saudáveis, mas o histórico da transmissão precisa pesar tanto quanto o estado do motor e da carroceria.
O Agile LTZ Easytronic 2014 tem espaço interno interessante, posição de dirigir elevada e aquele jeito simples de carro feito para sobreviver à rotina brasileira, combinação que ainda chama atenção de quem procura conforto sem pagar o preço de um automático convencional mais novo.
O Easytronic não é um automático tradicional porque parte de uma transmissão manual na qual atuadores controlam a embreagem e a seleção das marchas, o sistema apareceu primeiro na Meriva e depois ganhou uma evolução no Agile com o Easytronic Gen II, mantendo pausas perceptíveis durante as mudanças enquanto unidades desgastadas podem apresentar trepidações, falhas de atuação e problemas de embreagem.
O Fox Comfortline i-Motion 1.6 2015 tem um daqueles projetos que fazem sentido assim que se entra na cabine, a posição elevada melhora a visibilidade, o aproveitamento interno surpreende para seu tamanho e a praticidade ajuda a explicar por que ele ainda aparece entre os compactos usados procurados no Brasil.
O i-Motion foi oferecido no Brasil em versões de Gol, Voyage, Fox, CrossFox, SpaceFox, Polo, Polo Sedan e Up!, embora nem todas as aplicações utilizassem exatamente o mesmo conjunto mecânico, em comum estava a proposta de eliminar o pedal da embreagem com uma transmissão manual automatizada de embreagem simples, por isso pausas nas mudanças fazem parte do funcionamento enquanto trancos excessivos, demora para engatar ou falhas no sistema de atuação são sinais de alerta.
O Peugeot 207 XS 1.6 automático 2012 talvez seja um dos mais sedutores desta turma porque entrega motor 1.6, bom nível de equipamentos e transmissão automática convencional com conversor de torque por valores normalmente inferiores aos de automáticos mais novos, combinação difícil de ignorar para quem procura conforto gastando menos.
O ponto de atenção está nas transmissões automáticas de quatro marchas AL4 e em sua evolução AT8, usadas no Brasil em determinadas versões e anos de modelos da Peugeot e Citroën, entre eles 206, 207, 307, C3 e C4 Pallas, conjuntos conhecidos por ocorrências envolvendo eletroválvulas, trancos, funcionamento irregular e entrada em modo de emergência, mas é importante conferir cada versão porque o C4 Lounge vendido no Brasil já utilizava outra família de transmissão e os Renault com caixas tecnicamente aparentadas empregavam denominações próprias como DP0 e DP2.
O Mobi Drive GSR 1.0 2018 parece ter sido criado para a parte menos romântica da vida automotiva, cabe praticamente em qualquer vaga, gasta pouco combustível e elimina o pedal da embreagem, pacote que continua fazendo sentido para quem passa boa parte do dia preso entre semáforos e congestionamentos.
O Dualogic estreou no Brasil no Stilo e depois foi oferecido em diferentes versões de Linea, Palio, Palio Weekend, Idea, Siena, Punto, Bravo, Grand Siena, Uno e Strada, enquanto versões posteriores do sistema passaram a usar a denominação GSR em Uno, Mobi, Argo e Cronos, todos mantendo a lógica de uma transmissão manual robotizada de embreagem simples, por isso pequenas pausas durante as trocas podem ser características normais enquanto falhas de seleção, dificuldade para engatar ou comportamento claramente irregular são motivos para investigar antes da compra.
Com informações de Oficinabrasil, AutoPapo, UOL, Uol e QuatroRodas.