Honda Civic G9 usado: o sedan que ganhou espaço para a família, manteve o prazer de dirigir e ainda exige atenção antes da compra

Publicado por em Honda dia | Atualizado em

O Honda Civic já tinha conquistado quem gostava de dirigir quando a nona geração apareceu em 2011, mas havia uma reclamação difícil de ignorar no antigo New Civic: o porta-malas de 340 litros deixava a desejar nas viagens em família, principalmente quando chegavam as malas das crianças e tudo aquilo que ninguém queria deixar em casa, por isso o novo modelo cresceu justamente onde precisava e passou a oferecer 449 litros, sem abandonar o visual baixo, a posição de dirigir e a personalidade que fizeram do sedan um dos carros mais conhecidos da Honda no Brasil.

A nona geração, conhecida como G9 e quarta produzida no país, chegou com uma estrutura mais robusta e a mesma ideia que havia conquistado tanta gente: ser um carro de família durante a semana e continuar agradável nas curvas de uma estrada no domingo, com direção direta, suspensão firme e motores que respondem bem sem exigir que o motorista fique procurando potência a cada ultrapassagem.

O Honda Civic G9 chegou com uma missão difícil: melhorar o New Civic sem perder o prazer de dirigir. A Honda manteve o visual marcante e aumentou o espaço para a família.

Quem entra em um Civic G9 encontra o painel dividido em dois níveis, uma marca da geração anterior que continuou presente, agora acompanhado de computador de bordo, enquanto o espaço para cinco ocupantes e o porta-malas maior ajudaram a corrigir uma das limitações do modelo anterior.

Desde a versão LXS, o Civic trazia airbags frontais, freios ABS, cintos de três pontos para todos, alarme, vidros, travas e retrovisores elétricos, ar-condicionado, comandos no volante, câmera de ré e rodas de liga leve de 16 polegadas, uma lista que ainda chama atenção de quem procura um carro usado para trabalhar, viajar e levar a família.

O câmbio automático de cinco marchas parece antigo perto dos atuais, mas combina com o carro, troca sem sustos e ajuda a manter aquela condução tranquila típica dos bons sedans.

Nos primeiros anos, a escolha do motor era simples, pois os modelos 2012 e 2013 usavam o 1.8 flex de até 140 cv, enquanto a transmissão automática de cinco marchas aparecia como alternativa ao câmbio manual, permitindo ao comprador escolher entre dirigir trocando as marchas ou deixar esse trabalho para o carro.

A LXL acrescentava bancos de couro, faróis com acendimento automático, repetidores de seta nos retrovisores, acabamento brilhante na grade dianteira e aletas atrás do volante, enquanto a EXS reunia esses itens e ainda oferecia controle de estabilidade, airbags laterais, central multimídia e teto solar, formando uma combinação que continua interessante para quem deseja um usado com mais equipamentos.

A linha 2014 trouxe uma mudança importante, com a chegada das versões LXR e EXR no lugar das antigas LXL e EXS, agora equipadas com motor 2.0 flex de até 155 cv, câmbio automático de cinco marchas e partida a frio sem o antigo reservatório de gasolina, enquanto a LXS passou a contar com transmissão manual de seis marchas e a LXR ganhou faróis de neblina.

Com gasolina, o Civic faz 9,2 km/l na cidade e 12,8 km/l na estrada, enquanto a autonomia rodoviária pode chegar a 730 km com o tanque de 57 litros em viagens longas.

O Civic LXR 2015 recebeu uma grade com friso cromado maior, faróis de neblina redesenhados e rodas diamantadas de 17 polegadas, detalhes suficientes para distinguir o carro dos primeiros exemplares do G9, enquanto a LXS ganhou o sistema de partida a frio FlexOne e a EXR, que havia saído de linha, retornou atualizada no modelo 2016.

Essas mudanças explicam por que dois Civic aparentemente parecidos podem entregar experiências diferentes, pois um LXS 1.8 manual de 2012 não tem o mesmo motor, transmissão e pacote de equipamentos de um LXR 2.0 automático de 2016, ainda que ambos carreguem o mesmo nome na tampa do porta-malas.

A diferença também aparece nos valores de referência da FIPE publicados para o modelo, com o LXS 1.8 manual 2012 a R$ 58.545 e o automático a R$ 61.687, enquanto o LXS automático 2016 chega a R$ 74.450 e o LXR 2.0 automático do mesmo ano aparece a R$ 81.066, números que mostram como ano, motorização e versão pesam na compra.

Estalos e vibrações podem vir dos coxins do motor, batentes dos amortecedores ou juntas homocinéticas. No automático, a passagem entre D e R não deve apresentar trancos anormais.

Entre as configurações mais equipadas, o EXS 1.8 automático 2012 aparece a R$ 72.477, o LXR 2.0 automático 2014 a R$ 70.500 e o EXR 2.0 automático 2016 a R$ 88.400, enquanto o Civic Si 2.4 Coupé manual segue uma trajetória própria, com referência de R$ 126.484 para 2014 e R$ 149.838 para 2015, embora esses valores sejam apenas uma fotografia da tabela apresentada e não substituam uma consulta atualizada no momento da negociação.

O G9 tem uma reputação de resistência que ajuda a explicar a procura no mercado de usados, mas um Honda não deixa de precisar de manutenção por carregar o H no volante, especialmente depois de tantos anos de trânsito, buracos, viagens, trocas de dono e serviços que nem sempre foram feitos na hora certa.

O primeiro cuidado deve começar pelos pneus, pois um desgaste diferente entre os lados pode indicar problemas de alinhamento, inclusive no eixo traseiro, já que a suspensão independente nas quatro rodas exige uma avaliação que não deve ficar limitada apenas às rodas dianteiras.

Durante o teste de direção, estalos ao passar por irregularidades e vibrações fora do normal merecem investigação, pois podem estar ligados aos coxins do motor, batentes dos amortecedores ou folgas nas juntas homocinéticas, e não basta ouvir do vendedor que o barulho é normal porque o carro já tem alguns anos.

Nos automáticos, a passagem entre D e R precisa acontecer sem trancos anormais, enquanto a alavanca deve percorrer suas posições normalmente, pois até uma falha no fusível da lâmpada de freio pode impedir a liberação do seletor, um defeito simples que não deve ser confundido com um diagnóstico precipitado de problema interno na transmissão.

Também é necessário conferir se o carro passou pelas campanhas de recall, especialmente a substituição dos insufladores dos airbags frontais Takata e a troca do sensor de nível de combustível, cuja falha pode provocar pane seca, já que a existência da convocação não significa que o serviço tenha sido realizado naquele exemplar.

O preço das peças ajuda a entender por que um Civic aparentemente barato pode exigir dinheiro logo depois da compra, com o para-choque dianteiro original cotado a R$ 1.950 contra R$ 430 de uma alternativa paralela, enquanto cada farol aparece a R$ 2.400 na opção original e R$ 680 na paralela.

A mesma diferença surge na manutenção dos freios e da suspensão, com pastilhas dianteiras cotadas a R$ 580 no conjunto original e R$ 240 no paralelo, discos dianteiros a R$ 1.200 e R$ 550, respectivamente, e o jogo de quatro amortecedores chegando a R$ 4.200 na opção original contra R$ 2.100 na paralela, valores de referência que podem mudar conforme fornecedor, qualidade da peça e data da compra.

Há ainda uma característica que acompanha o Civic há gerações: a suspensão firme e o comportamento mais direto agradam quem gosta de dirigir, mas podem incomodar em ruas esburacadas, enquanto o consumo urbano e o custo das revisões merecem atenção de quem pretende transformar o sedan em carro de uso diário.

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Um Civic G9 bem cuidado continua capaz de oferecer aquilo que fez seu nome crescer entre os brasileiros, com motor 1.8 ou 2.0 flex, bom espaço para a família, porta-malas de 449 litros, equipamentos interessantes e uma experiência ao volante que não se resume a ir de um lugar para outro, mas a compra precisa começar pelo histórico de manutenção, passar por uma vistoria independente e terminar somente depois de conferir câmbio, suspensão, documentos e recalls, porque a boa fama pertence ao modelo, enquanto o estado de conservação pertence a cada carro.

Alan Correa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado, com foco em durabilidade e custo-benefício.